domingo, 8 de agosto de 2010

50. O Cachorro do Crébe - Parte II

Mô Quiridu,

Ô tavu inu drumi quanu o celulari tocô. Adivinha quem era,rapaj?

Crébe: Ôjadi, ôjadi, ôjadi!
Ixtepô: Que qui tu tá dizenu, sô tanso?
Crébe: Mô cachorrinho já tem nome, Ôjadi!
Ixtepô: Desse nome pro purguento?
Crébe: Sim, Ôjadi.
Ixtepô: Ôjadi é o nome do coitadinho do disinfelij?
Crébe: Nô, Ô já di nome pra ele, sô abobado!
Ixtepô: Mi conta pra mim o nome do bicho, então.
Crébe: Ônodi.
Ixtepô: Nô mi confundi, sô tanso. Desse o nô desse?
Crébe: Ô Já di ! Ele vai si chamar-se ÔNODI.

Traduzindo.....

Meu Querido,

Eu estava dormindo quando o celular tocou. Adivinha quem era, rapaz?

Crébe: Eujadei, eujadei, eujadei!
Ixtepô: O que tu estás dizendo, seu tolo?
Crébe: Meu cachorrinho já tem nome, Eujadei!
Ixtepô: Deste nome para o pulguento?
Crébe: Sim, Eujadei.
Ixtepô: Eujadei é o nome do coitado do infeliz?
Crébe: Não, eu já dei nome para ele, seu abobado!
Ixtepô: Me conta o nome, então.
Mi conta pra mim o nome, então?
Crébe: Eunãodei.
Ixtepô: Não me confunde. Deste ou não deste?
Crébe: Eu já dei! Ele vai chamar-se EUNÃODEI.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

49. O Cachorro do Crébe - Parte I


Mô Quiridu,

Foi a Joaquina ganhá o tal do Mandrião, qui o Crébe saiu a pecurá um cachorrinho pra ele tamém,ôh! No qui ele botô oj zóio no nosso bicho, ficô num baita invejume, o godera. Ele nem nunca goxtô muito de cachorro, máj não sussegô o facho inquantu nô arranjo um . Que qué isso né, ôh!

Onti ele teve aqui in casa i contô vantagi a noiti intera:

Crébe: Ixtepô, quero ti amoxtrá o mô cachorrinho pra ti.
Ixtepô: Tu deixasse o bichinho lá fora, cum frio desse, rapaj?
Crébe: Claro qui nô dexei. Ele tá aqui no mô borso.
Ixtepô: Tu éj um malino heim,ôh! Andaj pela ai com um filhotinho a tira colo, sô tanso.
Crébe: Ãh-ãh-ãh! Dexa di sê abobado, Ô comprei um cachorro da raça Xi-au-aua e já tá adurto.
Ixtepô: Xi o que?
Crébe: Xi-auuuuu-auaaaaaaaaa! Váj dizê qui nunca ovisse falá? Cachorro tamém é curtura, quirido i tem máj, é a úrtma moda im bicho di inxtimaçâ.
Ixtepô: Pára co aratório i amoxtra logo o bicho, sô abobado!

O Crébe infiô a mão no borso, do casaco, i tirô uma caxa di fróxfi lá di drentu. Quanu o degranido abriu , apareceu um cachorrinho cabano, virado im zóio. Era tão, tão piquininho qui ficava arodianu na parma da mão do malino. Ele aproveitô a situaçã i si insibiu-se um poquinho dinovo:

Crébe: Ixtepô, me dij pra mim si argum dia tu já visse um cachorrinho máj lindo qui esse, rapaj.
Ixtepô: Nem máj lindo, nem máj feio, muito pelo contráriu.
Crébe: Tá si mordenu pruquê o Mandrião nem si compara-se a ele.
Ixtepô: Ele, qui ele? Me dij pra mim, cumé qui é o nomi do mini papa-ovo.
Crébe: Ônodi!
Ixtepô: Cumé?
Crébe: Ônodi!
Ixtepô: Ônodi? Qui nome máj orrivi tu desse pro coiso, heim ôh!
Crébe: Quridu, o nome dele nô é Ônodi. Aconteci qui Ô nô di nome, pro cachorro, ainda. Intendesse agora?

Traduzindo......

Meu Querido,

Foi a Joaquina ganhar o tal do Mandrião, que o Crébe saiu a procurar um cachorrinho para ele também! Assim que ele viu nosso bicho, ficou louco de ciúme, o invejoso. Ele nunca gostou muito de cachorros, mas não sossegou enquanto não arrumou um. Que é isto!

Ontem ele esteve lá em casa e contou vantagens a noite toda:
Crébe: Ixtepo, quero te mostrar meu cachorrinho.
Ixtepô: Tu deixaste o bichinho lá fora, com este frio, rapaz?
Crébe: Claro que não deixei. Ele está aqui no meu bolso.
Ixtepô: Tu és um malvado heim! Andas por aí com um filhotinho a tira colo.
Crébe: deixa de ser bobo, eu comprei um cachorro da raça Chiuaua e já está adulto.
Ixtepô: Chi o que?
Crébe: Chiiiiiiiiiiii uuuuuuuuuuuu auaaaaaaaaaaa! Vais deizer que nunca ouviste falar!
Cachorro também é cultura, querido e tem mais, é a última moda em bicho de estimação.
Ixtepô: Pára com a falação e mostra o logo o bicho, seu abobado.

O Crébe enfiou a mão no bolso do casado e tirou uma caixa de fósforos lá de dentro. Quando o degranido abriu, apareceu um cachorrinho orelhudo, virado em olhos. Era tão pequenino que ficava rodando na palma da mão do malvado. Ele aproveitou a situação e se exibiu mais um pouco, novamente:

Crébe:Ixtepô, me diga se algum dia tu já viste um cachorrinho mais lindo que este, rapaz.
Ixtepô: Nem mais lindo, nem mais feio, muito pelo contrário.
Crébe: Tu estás te mordendo porque o Mandrião nem se compara a ele.
Ixtepô: Ele, que ele? Me fla como é o nome deste mini vira-latas.
Crébe: Eunãodei!
Ixtepô: Como?
Crébe: Eunãodei!
Ixtepô: Eunãodei? Que nome horrível tu destes pro bichinho.

Crébe: Querido, o nome dele não é Eunãodei.
Acontece que Eu não dei nome, pro cachorro, ainda. Entendeste agora?

domingo, 1 de agosto de 2010

48. A Gaivota Malabarista


Mô Quiridu,

No finali di semana, a Joaquina foi viajá, numa inxcursã, junto com a Clokirida. Ô i u Netu fiquemu in casa sozinho, nô tem. Prum lado até qui foi bom, já que Ô tava percisanu tê unj momento só co rapaj. Côsa di avô i neto, intendesse?

No sábado, convidei o nabinha pra armoça num doj rextorante do canali da Lagoa. Aj onze i trinta nój já tava sendadinho num trapiche, côj cardapi na mão, oianu aquela água limpinha, sentinu o sóli i o ventu no roxto. Nô tem!

Como tu sabej, o Neto parô di cume carne i tinha virado vegetarianicu máj, ôj poço, fumo convencenu o rapaj a cume, o menuj, um pexinho. Ele ainda nô si incantosse,di todo ,cáj nossa inguaria máj, vorta i meia, o intojadinho come arguma cosinha do mar.

O gauchinho virava o cardapi daqui prali, dilá prá cá i nô inxcolia nada. Ficava cáquele jeitinho meio misurento i cheio di nojo. Então, tive qui mi intrometê e ralhá cô Neto:

Ixtepô: Desse jeito, mofas com a pomba na balaia, rapaj! Dexa qui o vô pedi o conduto i tu oj aperitivu, queridu.
Neto: Bah,carinha! Dá um tempo né vô, eu não estou com nenhuma pressa. Vamos curtir o visu, coroa.
Ixtepô: Ah! Para oh! Tu sabej cô goxto di armoçá meio dia in ponto. Tem máj, ô já tô varado da fomi.
Neto: Não extressa, vô! Eu vou pedir uns bolinho de siri, umas batata frita e uma salada mista.
Ixtepô: Tão tá então! Depôj pedimu uma tainha inxcalada com um pirãozinho e, prá bebê, laranjinha água da serra.
Neto: Tá tri!

Fizemu o pedidu i no qui o gauçom troxe oj pratu, uma nuvi di gaviota si arpoximo-se da nossa mesa. Nexta hora, o rextoranti já tava intupidu i uma missidade de guri piqueno pulava, gritava e curria no trapiche. Hoje em dia, o qui máj tem por aí é essaj criança sem limite.
No qui aj criançada viru aj gaviota, nô deu otra, correru no pratu doj paij, si agarraru naj batata frita i começaru a jogá tudo ná agua. Quantu máj batatinha caia no canali, máj gaviota aparecia.
O Neto si impressiono-se e inxclamo:

Neto: Bah! Tri massa vô, as gaivotas são vegetariana.
Ixtepô: Vegetarianica i gorda, tamém, oh! Tu achaj qui issu tá correto?
Neto: Hum!
Ixtepô: Credo, que, qué issu, né oh! Gaviota tem é qui si alimentar-se de pexe.
Neto: Pior é que, tipo assim, tu tá tri certo né carinha.
Ixtepô: Si tu observá bem dereitinho, dessaj gaviota tudo, só a qui nô tá cumenu batatinha é essa gordinha qui aposô na ponta da nossa mesa.
Neto: Assim, oh! Parece que a gaivota tá querendo alguma coisa vô. Na verdade ela tá de olho nestes tomatinho.
Ixtepô: Então, então. Oj tomate acho qui dá di jogá prá ela.

O Neto jogô trêj tomatinho cereja, prá gaviota, um atráj du otro. Invéj da bicha comê aj frutinha, ela começô a fazê labarismu. Vô ti dizê pra ti , a gaviota dava um banho, parecia até essej pessoal qui fica enchenu o saco naj sinalera, aqui im Florianópij.

Percisava di vê o show que a bichinha apresentô. Depôj di acaba a apresentaçã , ela devorveu oj tomate, abaixou a cabecinha, agradeceu i extendeu a asinha pro nosso lado. No dava di acreditá máj ela táva querenu recompensa pelo trabaio.

Contrariado, indiquei a batata frita, máj pru sorti ela fez sinali que não i apontou pra minha carteira, qui tava im cima da mesa. Pode sê qui tu nô acredite no qui o vô ti dizê, agora inquantu Ô nô dei dèj reau pra gaviota, ela nô avuô imbora.

Como o dia tava bunitu, nój fiquemo ali no canali até umaj trêj hora, cuversanu da vida, tomanu umaj laranjinha i aprecianu a paisagi.

Pedimu a conta i, antej de pagá, vi que sobre um pau, dentro do canali, extava a gaviota labarixta. Com uma asa a inxpertinha treinava oj truque doj tomatinho. Maj, adivinha o qui inzibida carregava ca outra?

Um pacote di batatinha do Maquidonis. Que qué isso, né oh!



Traduzindo......

Meu Querido,

No final de semana, a Joaquina foi viajar, em excursão, com a Clokirida. Eu e o Neto ficamos em casa sozinhos. Por um lado até que foi bom, já que eu estava precisando ter alguns momentos a sós com o rapaz. Coisa de avô e neto, entendeste?
No sábado, convidei o porcaria para almoçar em um dos restaurantes do canal da Lagoa. As onze e meia, nós estávamos sentados no trapiche, com os cardápios em mãos, olhando aquela água límpida, sentindo o sol e o vento no rosto.
Como tu sabes, o Neto parou de comer carne e tornou-se vegetariano mas, aos poucos, fomos convencendo o rapaz a comer, ao menos, um peixinho. Ele ainda não se encantou, de todo, com nossas iguarias mas, volta e meia, come algum fruto do mar.

O gauchinho virava o cardápio para cá e para lá e não escolhia nada. Estava com aquele jeito, fazendo careta e cheio de nojo. Então tive de intervir e advertir o Neto:

Ixtepô: Desse jeito não vai dar em nada, rapaz! Deixa que escolho o prato principal e tu o aperetivo, querido.
Neto: Bah! Dá um tempo né vô, eu não estou com nenhuma pressa. Vamos curtir o visual, coroa.
Ixtepô: Para aí! Tu sabes que gosto de almoçar ao meio-dia em ponto. Tem mais, estou com muita fome.
Neto: Não extressa, vô! Eu vou pedir uns bolinhos de siri, umas batatas fritas e uma salada mista.
Ixtepô: Tá bom! Depois pedimos uma tainha escalada com pirão e, para beber, laranjinha água da serra.
Neto: Tá tri!

Fizemos o pedido e, no que o garçom trouxe o prato, uma núvem de gaivotas aproximou-se da nossa mesa. Nesta hora, o restaurante já estava lotado e uma criançada pulava, gritava e corria no trapiche. Hoje em dia, o que mais existe por ai é criança sem limites.
No que os meninos viram as gaivotas, não deu outra, correram para o prato dos pais, agarraram as batatas fritas e começaram a jogar tudo na água. Quanto mais as batatinhas caiam no canal, mais gaivotas apareciam.
O Neto impressionou-se e exclamou:

Neto: Bah! Tri massa vô, as gaviotas são vegetarianas.
Ixtepô: Vegetarianas e gordas também! Tu achas que isto está certo?
Neto: Hum!
Ixtepô: O que é isto! Gaivota tem é que se alimentar de peixe.
Neto: Pior é que tu está tri certo.
Ixtepô: Se tu observares direitinho, de todas estas gaivotas, a única que não come batatinha é esta gordinha que pousou no canto de nossa mesa.
Neto: Olha só! Parece que a a gaivota está querendo alguma coisa vô. Na verdade ela está de olho nestes tomatinhos.
Ixtepô: Então, tomates acho que podes dar a ela.

O Neto jogou três tomatinhos cereja, para a gaivota, um atrás do outro. Ao invés de comer as frutinhas, ela começou a fazer malabarismo. Vou te dizer, a gaivota arrasou, parecia até aquelas pessoas que
ficam incomodando nos semáforos de Florianópolis.

Precisava ver o show que ela apresentou. Depois de acabar a apresentação, a gaivota devolveu os tomates, baixou a cabecinha, agradeceu e estendeu a asinha para nosso lado. Não dava para acreditar mas ela estava querendo recompensa pelo trabalho.

Contrariado, indiquei a batata frita, por sorte ela fez sinal que não e apontou para minha carteira, que estava sobre a mesa. Pode ser que tu não acredites no que vou dizer, porém enquanto não dei dez reais a ela, a gaivota não voou embora.

Como o dia estava bonito, ficamos ali no canal por umas três horas, conversando, bebendo laranjinhas e apreciando a paisagem.

Antes de pagar, observei sobre um pau, dentro do canal, a gaivota malabarista. Com uma asa a espertinha treinava os truques com dois tomatinhos. Mas adivinha o que a exibida carregava na outra?

Um pacote de batatinhas do Mac Donalds. Que é isto!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

47. Se o assunto é Manezês: Vô ti dizê pra ti, oh!


Mô Quiridu,

Quéj aprendê máj sobre o Manezêj?
Então tenj qui conhecê o “Dicionário da Ilha – Falar & Falares da Ilha de Santa Catarina”, de Fernando Alexandre com ilustrações de Andréa Ramos. http://www.dicionariodailha.blogspot.com/

Dá um banho!

Traduzindo.....

Meu Querido,

Queres aprender mais sobre o Manezês?
Entâo tens que conhecer o“Dicionário da Ilha – Falar & Falares da Ilha de Santa Catarina”, de Fernando Alexandre com ilustrações de Andréa Ramos.
É sensacional!

terça-feira, 20 de julho de 2010

46. Cachorro de Troia

Mô Quiridu,

Onti a Joaquina tava de neversário. A idade dela Ô nô posso dizê, sinão ela mi suicida, rapaj. O qui interessa, nissu tudu, é qui nój fizemu uma baita duma fextança, pra ela. Côsa linda,oh!
Tinha deversoj prato típicu, nô farto pexe frito, pirão di nailo, tainha no fejão, carderada e bolinho de siri, quiridu. Cumemo a migueli i deu di todu mundo si impanziná.

Máj vô ti dizê uma côsa para ti. Pra Joaquina, o qui interessa mesu é aj pessoa qui foro, lá im casa, dá um abraçu nela. Tinha gente a reveria. É claro, a Clokirida apareceu pur lá, afinali elaj são unha i carni. Deu trêj minute i aj duaj começaru a matracá.

Ô nô sô di inxcuta cunvéussa duj otrô, máj fiquei ali, dixfaussanu i di bituca nu qui elaj falava:

Clokirida: Nega, tu táj cada vêj máj nova, tua pele parece um pêxco. Mi conta o segredo, pra mim, sua degranida!
Joaquina: Dicerto é o Ixtepô, ele nô mi dá sussegu aquele atentado. Só podi di sê aj cumida afrodizia cô faço pra ele, Nega.

Aj duaj si riru toda i entraru nunj delati co nô vô nem ti falá. Inda máj cô nô goxto di contá vantagi , rapaj. Tem outra, a cunveuça delaj tomo rumo deferente bem rapidinho.

Clokirida: Joaquina, tu sabej como ô ti quero bem i qui te apreceio muito, né Nega?
Joaquina: Até parece qui tu nô mi cunhece. Claro qui o sei, sua tola!
Clokirida: Intão! Prá prová o quanto goxto de ti, Ô queria ti dá di presenti o cô tenho di maj precioso nessa minha vida.
Joaquina: Nô vai mi dizê, pra mim, qui tu vaj me dá o........
Clokirida: É issu mesu! Ô tô aqui pra ti dá di presente, pra ti, o meu cachorrinho Mandrião.
Joaquina: Ô nunca nô imaginei qui argúem, além do Ixtepô, mi amava tanto assim, ma quirida.

Vê só! A Clokirida até podi amá a Joaquina, máj deve di mi odia, a malina. Afinali, o guapeca que ela tava danu di presenti é um imprestavi, papa-ovo, um baita dum ordináriu, pamonha i pançudo. O preguiçoso foi criado com jacuba, só comi i dormi o dia inteiro aquele desinfelix. Acho qui nem lati, o poia sabe.

Na minha cabeça, Ô carculei qui a ela só tava fazenu aquilu pra mi atentá, a degranida. Ô si sigurei, maj nô deu di ficá sem sortá o cô tavu pensanu:

Ixtepô: Ói-ói-ó! Clokirida, tá na hora di nój começá a quebra oj pratu da Joaquina, tudo. Nô tem?
Clokirida: Ô nô intendi! Intendesse?
Ixtepô: É qui si o presenti é di grego, a fexta também tem qui sê. Né oh!

Traduzindo.....

Meu Querido,

Ontem, a Joaquina estava de aniversário. A idade dela eu não posso falar, senão ela me mata, rapaz. O que interessa, nisto tudo, é que nós fizemos uma grande festa para ela. Coisa linda!
Havia diversos pratos típicos, não faltou peixe frito, pirão de náilon, tainha no feijão, caldeirada e bolinho de siri, querido. Comemos de mais e todos se fartaram.

Mas vou te dizer uma coisa. Para a Joaquina, o que importa mesmo são as pessoas que foram lá em casa abraçá-la. É Claro que a Clokirida esteve lá, afinal elas são a unha e a carne. Em poucos minutos as duas começaram a conversar. Eu nunca fui de escutar conversa alheia, mas fiquei ali, disfarçando e na espreita para ver o que elas falavam:

Clokirida: Tu estás cada vez mais jovem, tua pele parece um pêssego. Me conta o qual é segredo, desgraçada!
Joaquina: Deve ser o Ixtepô, ele não me dá sossego. Isso só pode ser por conta da comida afrodisíaca que eu faço para ele.

As duas riram e entraram em detalhes que não quero falar. Ainda mais que não sou de contar vantagens, rapaz. E tem outra, a conversa delas tomou um rumo diferente bem rápido.

Clokirida: Joaquina, tu sabes o que te quero bem e que te aprecio muito, não é?
Joaquina: Parece que tu não me conheces. Claro que eu sei, sua boba!
Clokirida: Então! Para provar o quanto eu gosto de ti, eu gostaria de te presentear com o que tenho de mais precioso
Joaquina: Não diga que vais me dar o .......
Clokirida: É isto mesmo! Vou de dar de presente, o meu cachorrinho Mandrião.
Joaquina: Eu nunca imaginei que alguém, além do Ixtepô, me amasse tanto assim, querida.

Veja só! A Clokirida pode até amar a Joaquina, mas deve me odiar a malvada. Afinal, o vira-latas, que ela estava dando de presente, é um impretável, sem pedigree, um grande ordinário, bobalhão e barrigudo. O preguiçoso foi criado com pirão de água fria, come e dorme o dia todo o infeliz. Acho que nem latir o tonto sabe.

Calculei que ela estava fazendo aquilo para me agredir. Me segurei , mas não pude evitar e soltei o que estava pensando:

Ixtepô: Olha só! Clokirida, já esta na hora de começarmos a quebrar os pratos da Joaquina. Não está?
Clokirida: Não entendi! Entendestes?
Ixtepô: É que se o presente é de grego, a festa também tem de ser!