terça-feira, 17 de agosto de 2010

52. Faltou pouco


Mô Quiridu,

A Joaquina si deitou-se, na cama, i mi acutucô. Ô achei qui ela tava querenu cosa i si assanhei mi todo, máj a degranida queria só cunversá antij di drumi:

Joaquina: Táj acordadu, nego?
Ixtepô: Acordado i numa dixposiçã!
Joaquina: Adixcurpa quiridu , máj Ô posso incoxtá a cabeça nu tô ombro só prá nój cunveusá um poquinho.?
Ixtepô: Ai tem! Ô ti conheçu bem, que qui tu quéj me dizê pra mim?
Joaquina: Nego, Ô quaji qui ti traí.
Ixtepô: Ô nô intendí dereito. Tu podij me repeti pra mim?
Joaquina: Ô quaji qui ti traí, maj foi só im pensamentu. Intendesse!
Ixtepô: Ô NÔ INTENDI DINOVO I FAÇO QUEXTÃ DI NÔ INTENDE OTRA VÊJ. INTENDESSE?
Joaquina: Baxa a bola i dexa di gritaria, sô tanso. Oj vizinho já tão tudo ovinu!
Ixtepô: Dexa elej tudo sabê o que tu quaji fizesse cumigo. O mô coraçã tá im tira sua ingrata.
Joaquina: Foi só um sonho, sô abobado. Ô ia até ti conta pra ti, agora nô vô máj.
Ixtepô: Apura, apura, dizinbucha tudo bem dereitinho!
Joaquina: Essa foi a premera, única e úrtma vêj , máj Ô tô si sintinu curpada. Mesu cô no tenha avançado a sinalera no sonho.
Ixtepô: Lá venj tu cum essaj inxtória di Fabo Juno.
Joaquina: Fabo Juno? Quem ti falô pra ti cô sonhei co Fabo Juno?
Ixtepô: Cum quem havéra di se? Si incantasse cum otro, é issu?
Joaquina: Pió qui foi.
Ixtepô: I ele é daj nossa redondeza?
Joaquina: Pió qui é.
Ixtepô: Ô conheçu o naba?
Joaquina: Pió qui já ouvisse falá.
Ixtepô: I quem é o traxti?
Joaquina: É o Capitão Tainha.
Ixtepô: Ói-ói-ó! Vô ti dizê, pra ti, qui si Ô fossi uma rapariga, também ia si incantá cum ele, ôh! Afinali, o Tainha é bem apessoado, é um Omi adimiravi i um herói aqui na Barra da Lagoa.
Joaquina: Ô devu di tá cá faixa atrasada. É issu?
Ixtepô: Ãh-ãh-ãh! Continua a tua confissã cô já to meio acachapado.
Joaquina: Pôj Intão! Ô sonhei qui ele tavu aqui im casa, dipinduradu num paranho, côj corno viradu pra baxo, inguali o Omi Aranha. Ô si sinti a Méry Jeini, si aproximei me dele i quaji sapequei um bejo na boca do degranido. Só nô chegeui noj finarmente pruque, até no sonho, Ô sô fieli a ti, mô quiridu.
Ixtepô: Ah para, ôh! Agora ô intendi pruque tu nô beijasse o Tainha.
Joaquina: Fala sô abobado.
Ixtepô: Ele deve ti tê si sortado du paranho. Si fosse numa tarrafa o coitado tava frito i Ô tomém né, ôh!

Traduzindo......

Meu Querido,

A Joaquina deitou-se me cutucou. Eu achei que ela estava querendo algo e me assanhei todo, mas ela queria somente conversar um pouco antes de dormir:

Joaquina: Estás acordado, nego?
Ixtepô: Acordado e disposto!
Joaquina: Desculpa querido, mas eu posso encostar a cabeça no teu ombro para conversar um pouco? Ixtepô: Ai tem! Eu te conheço, o que tu queres me dizer?
Joaquina: Nego, eu quase te traí.
Ixtepô: Eu não entendi direito. Podes repetir?
Joaquina: Eu quase te traí, mas foi só em pensamento. Entendestes?
Ixtepô: EU NÃO ENTENDI NOVAMENTE E FAÇO QUESTÃO DE NÃO ENTENDER OUTRA VEZ. ENTENDESTES?
Joaquina: Calma e deixa de gritaria, seu tolo. Os vizinhos já estão ouvindo!
Ixtepô: Deixe todos saber o que tu quase fizestes comigo. Meu coração está despedaçado, sua ingrata.
Joaquina: Foi só um sonho,
bobalhão. Eu ia até te contar, agora não vou mais.
Ixtepô: Apressa, apressa, conta tudo direitinho!
Joaquina: Essa foi a primeira, única e última vez, porém estou me sentindo culpada. Ainda que não tenha avançado o sinal no sonho.
Ixtepô: Lá vens tu com estas histórias de Fábio Júnior.
Joaquina: Fábio Júnior? Quem te falou que eu sonhei com o Fábio Júior?
Ixtepô: Quem haveria de ser? Te encantastes com outro, é isto?
Joaquina: Pior que foi.
Ixtepô: Ele é da nossa área?
Joaquina: Pior que é.
Ixtepô: Conheço o cara?
Joaquina: Pior que já ouviste falar.
Ixtepô: Quem é o impretável?
Joaquina: É o Capitão Tainha.
Ixtepô: Olha só! Vou te dizer que seu eu fosse mulher também me encantaria com ele. Afinal o Tainha é bonitão, homem admirável e um herói aqui na Barra da Lagoa.
Joaquina: Eu não estou acompanhando o que tu estás falando. É isto?
Ixtepô: Deixa pra lá! Continue a tua confissão que eu já estou cansado.
Joaquina: Pois então! Eu sonhei que ele estava aqui em casa, pendurado em uma teia, com a cabeça para baixo, igual ao Homem Aranha. Me senti a Mary Jane, aproximei-me dele e quase apliquei um beijo ma boca do desgraçado. Só não fui até o final porque sou fiel a ti mesmo em sonho, querido.
Ixtepô: Para com isto! Agora entendi porque não beijaste o Tainha.
Joaquina: Fala seu abobado.
Ixtepô: Ele deve ter escapado da teia. Se fosse em uma tarrafa o coitado estaria frito e eu também!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

51. A Correria

Mô Quiridu,

Ô tavu im casa, inxcutanu umaj marca no mô trêj im um, quanu o Crébe entra correnu porta a drento, gritanu:

- Arreda, arreda, Ixtepô! Tô num aguacero qui nô mi guento máj im pé,rapaj!

Ele cruzô a sala, qui era um raio, i só deu di oví o baruio do degranido si joganu no baciu, prá dá uma largada di suxtança, nô tem!. O tanso fico sentado por lá uma meia hora, gaxtô uma caxa di fóxfri, prá acabá co fedori i vortô branco qui é um papéli, prá mi contá prá mim, o que qui tava acontecenu.

Crébe: Ixtepô, faj trêj dia qui nô mi para nada no bucho, quiridu! É uma sultura qui nô dá di acreditá.
Ixtepô: Táj bom pro fogo! Que qui tu andaj aprontanu? Comesse dimáj dinovo sô tanso, é issu qui tu fizesse?
Crébe: Aiô, táj tolo táj? Ô no fij nada de deferente, só fui na fexta di neversário du tio Badejo i mi passei-me um poquinho. Intendesse?
Ixtepô: Ah, para cum issu né oh! Ô ti cunheço Crébe, tu pintasse o caneco, comesse que é um morto da fome, si impanzinasse todo. Quéj u que, rapaj?
Crébe: Sô abobado, dá um tempinho qui o bacio tá mi chamanu di vorta. Inquantu issu, mi arruma um remedinho pra cortá exta cagança toda, quiridu.
Ixtepô: Fica tranqüilo, vô apercurá uma baguinha prá aresorvê essa tua correria.

Vinte e sêj minute i trêj caxa di fóxfri depôj..........

Crébe: Quaji dexei aj tripa tudo no banhero, nô tem!
Ixtepô: Credo!
Crébe: I o remédinho, me arumasse arguma côsa?
Ixtepô: Toma esse comprimido. Ele vai te ajudá.
Crébe: Comé qui pode né ôh! Fo i Ô ingulí a baguinha i si senti bem, deve di sê psicológi.
Ixtepô: Tu táj bem mesu?
Crébe: Dazumbanho! Me curasse Ixtepô.
Ixtepô: Tão tá então!
Crébe: Bom, Ô vô prá casa dá uma dexcansadinha, mô filhu.
Ixtepô: Si vemo amanhã, lá na barra.

O Crébe foi imbora i Ô fui guardá oj remédio qui ficaru inxpalhado pru cima da mesa. Nô sei prá que a Joaquina ajunta aquela muntuera de medicamento, máj começei a contá os deversoj tipe i vi que tinha cárcio, ormonho, relaxantio, antiaço, diuréto, onargésico, i o diabo aquático. Nisso, arreparei na embalaja do remédio que tinha dado pro Crébe. O desinfelij tinha tomado um carmante, doj poderoso, injéj dum segura tripa, mô quiridu. Peguei o celulari i liguei pro degranido:

Ixtepô: Crébe, comé qui tu táj, rapaj?
Crébe: Todo cagado, máj carminho, carminho, mô quiridu!

Traduzindo......

Meu Querido,

Estava eu, em casa, escutando algumas músicas no meu som, quando o Crébe entra correndo e gritando:

- Afasta, afasta, Ixtepô! Estou com uma diarréia e não me aguento em pé. Ele cruzou a sala, como se fosse um raio, e só deu para ouvir o barulho do infeliz se jogando na privada, para largar um cocô poderoso. Ele ficou sentado durante uma meia hora, gastou uma caixa de fósforos, para acabar com o fedor, e voltou branco que é um papel, para me contar o que estava acontecendo.

Crébe: Ixtepô, faz três dias que não me para nada na barriga! É uma soltura que não dá para acreditar.
Ixtepô: Tá que não vale nada! O que tu andas aprontando? Comeste demais outra vez, bobalhão, é isto que fizeste?
Crébe: Tá louco? Eu não fiz nada diferente, só fui à festa de aniversário do tio Badejo e me passei um pouquinho.
Ixtepô: Para com isto! Eu te conheço Crébe, tu detonaste, comeste como um morto de fome e te entupiste. Queres o que?
Crébe: Seu abobado, dá um tempo que a privada está me chamando novamente. Enquanto isto, me arranja um remédio para cortar esta dor de barriga.

Ixtepô: Fica tranqüilo, vou procurar um comprimido para resolver o teu problema.

Vinte e seis minutos e três caixas de fósforos depois......

Crébe: Quase deixei o intestino no banheiro.
Ixtepô: Que é isto!
Crébe: E o remédio, encontraste algo?
Ixtepô: Toma esse comprimido. Ele vai te ajudar

Crébe: Como pode! Foi eu engolir o comprimido e me sentir bem, deve ser psicológico.
Ixtepô: Estás bem, mesmo?
Crébe: Tu és demais! Me curaste Ixtepô.
Ixtepô: Então tá!
Crébe: Bom, eu vou para casa dar uma descansada.
Ixtepô: Nos vemos amanhã, lá na barra.

O Crébe foi embora e eu fui guardar os remédios que ficaram espalhados por cima da mesa. Não sei porque a Joaquina junta aquela quantidade de medicamentos, mas comecei a contar os diversos tipos e observei que tinha cálcio, hormônio, relaxante, antiácido, diurético, analgésico e o diabo a quatro. Nisto reparei a embalagem do remédio que dei ao Crébe. O coitado havia tomado um calmante dos fortes, ao invés de um antiespasmódico . Peguei o celular e liguei para ele:

Ixtepô: Crébe, como tu estás, rapaz?
Crébe: Todo cagado, mas calminho, calminho, meu querido!

domingo, 8 de agosto de 2010

50. O Cachorro do Crébe - Parte II

Mô Quiridu,

Ô tavu inu drumi quanu o celulari tocô. Adivinha quem era,rapaj?

Crébe: Ôjadi, ôjadi, ôjadi!
Ixtepô: Que qui tu tá dizenu, sô tanso?
Crébe: Mô cachorrinho já tem nome, Ôjadi!
Ixtepô: Desse nome pro purguento?
Crébe: Sim, Ôjadi.
Ixtepô: Ôjadi é o nome do coitadinho do disinfelij?
Crébe: Nô, Ô já di nome pra ele, sô abobado!
Ixtepô: Mi conta pra mim o nome do bicho, então.
Crébe: Ônodi.
Ixtepô: Nô mi confundi, sô tanso. Desse o nô desse?
Crébe: Ô Já di ! Ele vai si chamar-se ÔNODI.

Traduzindo.....

Meu Querido,

Eu estava dormindo quando o celular tocou. Adivinha quem era, rapaz?

Crébe: Eujadei, eujadei, eujadei!
Ixtepô: O que tu estás dizendo, seu tolo?
Crébe: Meu cachorrinho já tem nome, Eujadei!
Ixtepô: Deste nome para o pulguento?
Crébe: Sim, Eujadei.
Ixtepô: Eujadei é o nome do coitado do infeliz?
Crébe: Não, eu já dei nome para ele, seu abobado!
Ixtepô: Me conta o nome, então.
Mi conta pra mim o nome, então?
Crébe: Eunãodei.
Ixtepô: Não me confunde. Deste ou não deste?
Crébe: Eu já dei! Ele vai chamar-se EUNÃODEI.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

49. O Cachorro do Crébe - Parte I


Mô Quiridu,

Foi a Joaquina ganhá o tal do Mandrião, qui o Crébe saiu a pecurá um cachorrinho pra ele tamém,ôh! No qui ele botô oj zóio no nosso bicho, ficô num baita invejume, o godera. Ele nem nunca goxtô muito de cachorro, máj não sussegô o facho inquantu nô arranjo um . Que qué isso né, ôh!

Onti ele teve aqui in casa i contô vantagi a noiti intera:

Crébe: Ixtepô, quero ti amoxtrá o mô cachorrinho pra ti.
Ixtepô: Tu deixasse o bichinho lá fora, cum frio desse, rapaj?
Crébe: Claro qui nô dexei. Ele tá aqui no mô borso.
Ixtepô: Tu éj um malino heim,ôh! Andaj pela ai com um filhotinho a tira colo, sô tanso.
Crébe: Ãh-ãh-ãh! Dexa di sê abobado, Ô comprei um cachorro da raça Xi-au-aua e já tá adurto.
Ixtepô: Xi o que?
Crébe: Xi-auuuuu-auaaaaaaaaa! Váj dizê qui nunca ovisse falá? Cachorro tamém é curtura, quirido i tem máj, é a úrtma moda im bicho di inxtimaçâ.
Ixtepô: Pára co aratório i amoxtra logo o bicho, sô abobado!

O Crébe infiô a mão no borso, do casaco, i tirô uma caxa di fróxfi lá di drentu. Quanu o degranido abriu , apareceu um cachorrinho cabano, virado im zóio. Era tão, tão piquininho qui ficava arodianu na parma da mão do malino. Ele aproveitô a situaçã i si insibiu-se um poquinho dinovo:

Crébe: Ixtepô, me dij pra mim si argum dia tu já visse um cachorrinho máj lindo qui esse, rapaj.
Ixtepô: Nem máj lindo, nem máj feio, muito pelo contráriu.
Crébe: Tá si mordenu pruquê o Mandrião nem si compara-se a ele.
Ixtepô: Ele, qui ele? Me dij pra mim, cumé qui é o nomi do mini papa-ovo.
Crébe: Ônodi!
Ixtepô: Cumé?
Crébe: Ônodi!
Ixtepô: Ônodi? Qui nome máj orrivi tu desse pro coiso, heim ôh!
Crébe: Quridu, o nome dele nô é Ônodi. Aconteci qui Ô nô di nome, pro cachorro, ainda. Intendesse agora?

Traduzindo......

Meu Querido,

Foi a Joaquina ganhar o tal do Mandrião, que o Crébe saiu a procurar um cachorrinho para ele também! Assim que ele viu nosso bicho, ficou louco de ciúme, o invejoso. Ele nunca gostou muito de cachorros, mas não sossegou enquanto não arrumou um. Que é isto!

Ontem ele esteve lá em casa e contou vantagens a noite toda:
Crébe: Ixtepo, quero te mostrar meu cachorrinho.
Ixtepô: Tu deixaste o bichinho lá fora, com este frio, rapaz?
Crébe: Claro que não deixei. Ele está aqui no meu bolso.
Ixtepô: Tu és um malvado heim! Andas por aí com um filhotinho a tira colo.
Crébe: deixa de ser bobo, eu comprei um cachorro da raça Chiuaua e já está adulto.
Ixtepô: Chi o que?
Crébe: Chiiiiiiiiiiii uuuuuuuuuuuu auaaaaaaaaaaa! Vais deizer que nunca ouviste falar!
Cachorro também é cultura, querido e tem mais, é a última moda em bicho de estimação.
Ixtepô: Pára com a falação e mostra o logo o bicho, seu abobado.

O Crébe enfiou a mão no bolso do casado e tirou uma caixa de fósforos lá de dentro. Quando o degranido abriu, apareceu um cachorrinho orelhudo, virado em olhos. Era tão pequenino que ficava rodando na palma da mão do malvado. Ele aproveitou a situação e se exibiu mais um pouco, novamente:

Crébe:Ixtepô, me diga se algum dia tu já viste um cachorrinho mais lindo que este, rapaz.
Ixtepô: Nem mais lindo, nem mais feio, muito pelo contrário.
Crébe: Tu estás te mordendo porque o Mandrião nem se compara a ele.
Ixtepô: Ele, que ele? Me fla como é o nome deste mini vira-latas.
Crébe: Eunãodei!
Ixtepô: Como?
Crébe: Eunãodei!
Ixtepô: Eunãodei? Que nome horrível tu destes pro bichinho.

Crébe: Querido, o nome dele não é Eunãodei.
Acontece que Eu não dei nome, pro cachorro, ainda. Entendeste agora?

domingo, 1 de agosto de 2010

48. A Gaivota Malabarista


Mô Quiridu,

No finali di semana, a Joaquina foi viajá, numa inxcursã, junto com a Clokirida. Ô i u Netu fiquemu in casa sozinho, nô tem. Prum lado até qui foi bom, já que Ô tava percisanu tê unj momento só co rapaj. Côsa di avô i neto, intendesse?

No sábado, convidei o nabinha pra armoça num doj rextorante do canali da Lagoa. Aj onze i trinta nój já tava sendadinho num trapiche, côj cardapi na mão, oianu aquela água limpinha, sentinu o sóli i o ventu no roxto. Nô tem!

Como tu sabej, o Neto parô di cume carne i tinha virado vegetarianicu máj, ôj poço, fumo convencenu o rapaj a cume, o menuj, um pexinho. Ele ainda nô si incantosse,di todo ,cáj nossa inguaria máj, vorta i meia, o intojadinho come arguma cosinha do mar.

O gauchinho virava o cardapi daqui prali, dilá prá cá i nô inxcolia nada. Ficava cáquele jeitinho meio misurento i cheio di nojo. Então, tive qui mi intrometê e ralhá cô Neto:

Ixtepô: Desse jeito, mofas com a pomba na balaia, rapaj! Dexa qui o vô pedi o conduto i tu oj aperitivu, queridu.
Neto: Bah,carinha! Dá um tempo né vô, eu não estou com nenhuma pressa. Vamos curtir o visu, coroa.
Ixtepô: Ah! Para oh! Tu sabej cô goxto di armoçá meio dia in ponto. Tem máj, ô já tô varado da fomi.
Neto: Não extressa, vô! Eu vou pedir uns bolinho de siri, umas batata frita e uma salada mista.
Ixtepô: Tão tá então! Depôj pedimu uma tainha inxcalada com um pirãozinho e, prá bebê, laranjinha água da serra.
Neto: Tá tri!

Fizemu o pedidu i no qui o gauçom troxe oj pratu, uma nuvi di gaviota si arpoximo-se da nossa mesa. Nexta hora, o rextoranti já tava intupidu i uma missidade de guri piqueno pulava, gritava e curria no trapiche. Hoje em dia, o qui máj tem por aí é essaj criança sem limite.
No qui aj criançada viru aj gaviota, nô deu otra, correru no pratu doj paij, si agarraru naj batata frita i começaru a jogá tudo ná agua. Quantu máj batatinha caia no canali, máj gaviota aparecia.
O Neto si impressiono-se e inxclamo:

Neto: Bah! Tri massa vô, as gaivotas são vegetariana.
Ixtepô: Vegetarianica i gorda, tamém, oh! Tu achaj qui issu tá correto?
Neto: Hum!
Ixtepô: Credo, que, qué issu, né oh! Gaviota tem é qui si alimentar-se de pexe.
Neto: Pior é que, tipo assim, tu tá tri certo né carinha.
Ixtepô: Si tu observá bem dereitinho, dessaj gaviota tudo, só a qui nô tá cumenu batatinha é essa gordinha qui aposô na ponta da nossa mesa.
Neto: Assim, oh! Parece que a gaivota tá querendo alguma coisa vô. Na verdade ela tá de olho nestes tomatinho.
Ixtepô: Então, então. Oj tomate acho qui dá di jogá prá ela.

O Neto jogô trêj tomatinho cereja, prá gaviota, um atráj du otro. Invéj da bicha comê aj frutinha, ela começô a fazê labarismu. Vô ti dizê pra ti , a gaviota dava um banho, parecia até essej pessoal qui fica enchenu o saco naj sinalera, aqui im Florianópij.

Percisava di vê o show que a bichinha apresentô. Depôj di acaba a apresentaçã , ela devorveu oj tomate, abaixou a cabecinha, agradeceu i extendeu a asinha pro nosso lado. No dava di acreditá máj ela táva querenu recompensa pelo trabaio.

Contrariado, indiquei a batata frita, máj pru sorti ela fez sinali que não i apontou pra minha carteira, qui tava im cima da mesa. Pode sê qui tu nô acredite no qui o vô ti dizê, agora inquantu Ô nô dei dèj reau pra gaviota, ela nô avuô imbora.

Como o dia tava bunitu, nój fiquemo ali no canali até umaj trêj hora, cuversanu da vida, tomanu umaj laranjinha i aprecianu a paisagi.

Pedimu a conta i, antej de pagá, vi que sobre um pau, dentro do canali, extava a gaviota labarixta. Com uma asa a inxpertinha treinava oj truque doj tomatinho. Maj, adivinha o qui inzibida carregava ca outra?

Um pacote di batatinha do Maquidonis. Que qué isso, né oh!



Traduzindo......

Meu Querido,

No final de semana, a Joaquina foi viajar, em excursão, com a Clokirida. Eu e o Neto ficamos em casa sozinhos. Por um lado até que foi bom, já que eu estava precisando ter alguns momentos a sós com o rapaz. Coisa de avô e neto, entendeste?
No sábado, convidei o porcaria para almoçar em um dos restaurantes do canal da Lagoa. As onze e meia, nós estávamos sentados no trapiche, com os cardápios em mãos, olhando aquela água límpida, sentindo o sol e o vento no rosto.
Como tu sabes, o Neto parou de comer carne e tornou-se vegetariano mas, aos poucos, fomos convencendo o rapaz a comer, ao menos, um peixinho. Ele ainda não se encantou, de todo, com nossas iguarias mas, volta e meia, come algum fruto do mar.

O gauchinho virava o cardápio para cá e para lá e não escolhia nada. Estava com aquele jeito, fazendo careta e cheio de nojo. Então tive de intervir e advertir o Neto:

Ixtepô: Desse jeito não vai dar em nada, rapaz! Deixa que escolho o prato principal e tu o aperetivo, querido.
Neto: Bah! Dá um tempo né vô, eu não estou com nenhuma pressa. Vamos curtir o visual, coroa.
Ixtepô: Para aí! Tu sabes que gosto de almoçar ao meio-dia em ponto. Tem mais, estou com muita fome.
Neto: Não extressa, vô! Eu vou pedir uns bolinhos de siri, umas batatas fritas e uma salada mista.
Ixtepô: Tá bom! Depois pedimos uma tainha escalada com pirão e, para beber, laranjinha água da serra.
Neto: Tá tri!

Fizemos o pedido e, no que o garçom trouxe o prato, uma núvem de gaivotas aproximou-se da nossa mesa. Nesta hora, o restaurante já estava lotado e uma criançada pulava, gritava e corria no trapiche. Hoje em dia, o que mais existe por ai é criança sem limites.
No que os meninos viram as gaivotas, não deu outra, correram para o prato dos pais, agarraram as batatas fritas e começaram a jogar tudo na água. Quanto mais as batatinhas caiam no canal, mais gaivotas apareciam.
O Neto impressionou-se e exclamou:

Neto: Bah! Tri massa vô, as gaviotas são vegetarianas.
Ixtepô: Vegetarianas e gordas também! Tu achas que isto está certo?
Neto: Hum!
Ixtepô: O que é isto! Gaivota tem é que se alimentar de peixe.
Neto: Pior é que tu está tri certo.
Ixtepô: Se tu observares direitinho, de todas estas gaivotas, a única que não come batatinha é esta gordinha que pousou no canto de nossa mesa.
Neto: Olha só! Parece que a a gaivota está querendo alguma coisa vô. Na verdade ela está de olho nestes tomatinhos.
Ixtepô: Então, tomates acho que podes dar a ela.

O Neto jogou três tomatinhos cereja, para a gaivota, um atrás do outro. Ao invés de comer as frutinhas, ela começou a fazer malabarismo. Vou te dizer, a gaivota arrasou, parecia até aquelas pessoas que
ficam incomodando nos semáforos de Florianópolis.

Precisava ver o show que ela apresentou. Depois de acabar a apresentação, a gaivota devolveu os tomates, baixou a cabecinha, agradeceu e estendeu a asinha para nosso lado. Não dava para acreditar mas ela estava querendo recompensa pelo trabalho.

Contrariado, indiquei a batata frita, por sorte ela fez sinal que não e apontou para minha carteira, que estava sobre a mesa. Pode ser que tu não acredites no que vou dizer, porém enquanto não dei dez reais a ela, a gaivota não voou embora.

Como o dia estava bonito, ficamos ali no canal por umas três horas, conversando, bebendo laranjinhas e apreciando a paisagem.

Antes de pagar, observei sobre um pau, dentro do canal, a gaivota malabarista. Com uma asa a espertinha treinava os truques com dois tomatinhos. Mas adivinha o que a exibida carregava na outra?

Um pacote de batatinhas do Mac Donalds. Que é isto!