sábado, 2 de outubro de 2010

58. Natureza Morta 3 - Lixo Congelado

Mô Quiridu,

Daj vej ô fico meio atolexmado cum tanta notiça di dinzaxtre ecolójo, é farta dágua aqui, inxente ali, aquecimento globali da terra, essa montuêra di côsa. Intendesse? Ô nô sô um omi inxtudadu, maj obeservo o que qui tá contecenu na minha vorta i dá di vê cá situação nô é daj melhor, rapaj.
Ô já to máj prá lá qui prá cá, agora nô da di si inxquecê do futuro do meu neto i doj filhu dele. Nô tem! É purissu cô chamei u Neto, prá cunveusá desse assunte cum ele:

Ixtepô: Neto vem cá rapaj!
Ixtepô: Neto vem cá RAPAJ!
Ixtepô: Neto vem CÁ RAPAJ!
Ixtepô: NETO VEM CÁ RAPAJ!

Gritei tantu, tantu, tantu, pro degranido oví qui até cheguei a pensá cô tava ficanu loco i o rapaj nô si chamava-se Neto. Bom, ele veio i nój cumessemo a falá:

Neto: Daí carinha, tudo tri?
Ixtepô: Para caj tua gira i fala quinem Omi rapaj.
Neto: Dizai vô!
Ixtepô: Ô to gritanu por ti faj máj di déj minute i tu nô mi inxcutassi?
Neto: Tipo assim, eu te escutei, mãs não ti ouvi, tá ligado?
Ixtepô: Tavaj naonde?
Neto: Assistindo um documentário sobre aquecimento global. Tri bom!
Ixtepô: Qui coincidença, quiridu. Ô tavu querenu falá inzatamente dissu cuntigu, nô tem!
Neto: Fala carinha.
Ixtepô: Na verdade, Ô tenho muntaj dúvida i comu tu éj um rapaj inteligente, curiosu, inxtudioso, vévi grudadu na televisã i na internétia, vai qui tu podej me insiná arguma côsa.
Neto: Bãããããããh, tu fez eu me senti o cara, carinha. Vamo vê se eu te auxilio em algo, tipo assim.
Ixtepô: Neto, quem tu achaj qui é o responsávi pelo aquecimento globali da terra?
Neto: Tu já chega dandu pedrada nos peito, carinha. Esta é difícil de responder.
Ixtepô: Cá di que?
Neto: É que existem alguns grupos de cientistas e organizações que acreditam que a parada é resultante da ação do homem no planeta e outros crêem que tudo se deve a ciclos naturais pelos quais a terra vem passando desde a sua criação. Sacô?
Ixtepô: Qué dizê qui tem genti qui acha um côsa i gente qui acha outra côsa deferenti?
Neto: Tipo assim, é isso mesmo.
Ixtepô: Agora tu sabej qui uma côsa é uma côsa i otra côsa é outra côsa. Qué qui tu pensaj?
Netô: Vou dizer que ainda tenho dúvidas. Mãs, independente do que for, nós temos que tomar algumas providências. Vê a situação dos ursos polares, por exemplo. O aquecimento global tem feito os animais passar fome.
Ixtepô: Nô mi dij issu pra mim, qui mi mói o coraçã, rapaj. Durante a minha vida toda, Ô tenho vixtu uma montuera di pexe si sumindu daj água, casa subindo morro a cima e barranco decenu ladera abaxo, a meséria omontanu i Ô acho que tudo é responsabilidade doj ser omano, rapaj.
Neto: Respeito teu ponto de vista e concordo em parte, mãs vamos voltar aos Ursos polares. Tu sabias que muitos deles estão se aproximando de áreas residências a procura de lixo, como alimento?
Ixtepô: Tu dij?
Neto: Então, carinha! Na bahía de Churchil, norte do Canadá, os pinta tiveram que cercar o lixão para evitar a invasão dos urso. Já pensô! Imagina ficá cara-a-cara com um baita urso.
Ixtepô: Ô só fiquei de frenti prum urso, num fextejo di boi-de-mamaõ i mi pelei de medo, rapaj. Nem goxto di pensá!
Neto: Só prá relaxar, vou te fazer uma perguntinha, vô.
Ixtepô: Fala sô tanso.
Neto: Porque os ursos polares não comem pingüim?
Ixtepô: Nô váj mi dizê, pra mim, qui oj pingüim já foro inxterminado pelo aquecimento globali da terra.
Neto: Não vô, é que pingüim vive no pólo sul e urso polar no pólo norte.
Ixtepô: Sô A B O B A D O, vai percurá seuviço, vai!

Traduzindo.....

Meu Querido,

Às vezes eu fico meio estonteado com tanta notícia de desastre ecológico, é falta de água aqui, enchente ali, aquecimento da terra, essa enormidade de coisas. Entendeste? Eu não sou um homem
estudado, mas observo o que está acontecendo ao meu redor e posso ver que a situação não é das melhores, rapaz.
Eu já estou mais para lá do que para cá, porém, não dá para esquecer do meu neto e dos filhos dele. É por isto que eu chameu o Neto, para conversar deste assunto:

Ixtepô: Neto vem aqui rapaz!
Ixtepô: Neto vem aqui RAPAZ!
Ixtepô: Neto vem AQUI RAPAZ!
Ixtepô: NETO VEM AQUI RAPAZ!

Gritei tanto, tanto, tanto, para o desgraçado ouvir e até pensei que estava ficando louco e o rapaz não se chamava Neto. Bom, ele veio e nós começamos a falar:

Neto: Daí carinha, tudo tri?
Ixtepô: Para com as tuas gírias e fala como homem rapaz.
Neto: Diz ai vô!
Ixtepô: Estou gritando por ti faz dez minutos e tu não me escutas?
Neto: Tipo assim, eu te escutei, mas não te ouvi, tá ligado?
Ixtepô: Estavas aonde?
Neto: Assistindo um documentário sobre aquecimento global. Tri bom!
Ixtepô: Que coincidência, querido. Eu estava querendo falar, exagamente, contigo sobre o tema.
Neto: Fala carinha.
Ixtepô: Na verdade eu tenho muitas dúvidas. E como tu és um rapaz inteligente, curioso, estudioso,
vive grudaddo na televisão e na internet, talvez tu possas me ensinar algo.

Neto: Bah, tu me fizeste sentir o cara, carinha. Vamos ver seu te auxilio em algo, tipo assim.
Ixtepô: Neto, quem tu achas que é o responsável pelo aquecimento global da terra?
Neto: Tu já chega forçando a barra, carinha. Esta é difícil de responder.
Ixtepô: Porque?
Neto: É que existem alguns grupos de cientistas e organizações que acreditam que a situação é resultante da ação do homem no planeta e outros crêem que tudo se deve a ciclos naturais, pelos quais a terra vem passando desde a sua criação. Entendeste?
Ixtepô: Quer dizer que tem gente que pensa uma coisa e gente que acredita em outra coisa diferente?
Neto: Tipo assim, é isso mesmo.
Ixtepô: Agora tu sabes que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. O que tu pensas?
Netô: Vou dizer que ainda tenho dúvidas. Mas independente do que for, nós temos que tomar algumas providências. Vê a situação dos ursos polares, por exemplo. O aquecimento global tem feito os animais passarem fome.
Ixtepô: Não me diga isto, que me mói o coração, rapaz. Durante toda a minha vida eu tenho visto uma imensidade de peixes sumindo das águas, casa subindo morro acima e barranco descendo ladeira abaixo, a miséria aumentando e eu acredito que isto é responsabilidade dos seres humanos, rapaz.
Neto: Respeito teu ponto de vista e concordo em parte, mas vamos voltar aos Ursos polares. Tu sabias que muitos deles estão se aproximando de áreas residências, a procura de lixo como alimento?
Ixtepô: Não diga?
Neto: Então, carinha! Na bahía de Churchil, norte do Canadá, os caras tiveram que cercar o lixão para evitar a invasão dos ursos. Já pensou! Imagina ficar cara-a-cara com um baita urso.
Ixtepô: Eu só fiquei de frente para um urso, num festejo de boi-de-mamão, e me pelei de medo, rapaz. Nem gosto de pensar.
Neto: Só prá relaxar, vou te fazer uma perguntinha, vô.
Ixtepô: Fala seu tolo.
Neto: Porque os ursos polares não comem pingüim?
Ixtepô: Não me diga que os pingüins já foram exterminados pelo aquecimento global da terra.
Neto: Não vô, é que pingüim vive no polo sul e urso polar no polo norte.
Ixtepô: Seu abobado, vá procurar o que fazer.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

57. Tenho os meus direitos


Mô Quiridu,

Onti di tardi, a Joaquina mi convidô pra nój dá um passeio no Centrinho da Lagoa. Nu começou Ô até pensei im nô í, máj acabei danu o braçu a toucê. A Joaquina adora revirá uma lojinha i Ô fico todo infesadu cum issu. Intendesse! Tenj qui vê quanu ela entra no AUMAZÈM DA LAGOA, a loja da Dona Angila. Ela bixbilhota, vira aj cosa di ponta cabeça, bota reparu im tudo i nô compra nada, a malina.

Nój tava passanu na frente do Aumazém i ela si atiro-se prá drentu. Nissu Ô disse qui ia inxperá ali noj café, na frenti do poxtu, nô tem!

Peguei um cafezinho, pra mim tomá, i mi acroquei prá apreciá oj movimento. Domingu é um entra i sai di carro, por ali, qui dá di ficá abobado.

Já cô nô tinha nada u qui fazê, comecei a oiá aj praca doj auto pra vê di ondi elej era. Tinha auto de gaúche, paulixta e paranaense, a reveria, rapaj. Maj o qui mi chamô a minha atençã foi uma Kombi aqui di Florianópij.
I vô ti diz, pra ti, qui nô é cá di que ela era um bijuzinho di tão dereitinha qui tava. U qui maj mi impressionô foi um decarque cá fotografia da minha família na bunda da Kombi, rapaj!

Ô fiquei fulo, anotei a praca i percurei pelo dono da Kombi no DETRAN, afinali tenho qui preseuvá oj meu dereito di imagê. Liguei pro dono do veíco i ele me disse, pra mim, que ia tirá o decarque do carro maj, mesu ansim, ia me pagá pra muié dele continuá usanu a nossa foto.

Preguntei se ela ia usá o decarque na frenti o no traseiro do carro dela. Ele me arexpondeu que ela já tinha feito a tatuagi no traseiro. Então Ô disse prá ele qui nô sabia qui si fazia tatuagi em carro.

O disinfelix deu uma risadinha, mi preguntô quem me disse, pra mim, que a tatuagi era no traseiro do carro i dexligô na minha cara.

Traduzindo....

Meu Querido,

Ontem a tarde, a Joaquina me convidou par darmos um passeio no centrinho da Lagoa. No começo até pensei em não ir, mas acabei concordando. A Joaquina adora revirar uma lojinha e eu fico sem jeito com isso. Entendeste! Tens que ver quando ela entra no Armazém da Lagoa, a loja da Dona Ângela. Ela bisbilhota, vira as coisas de pernas para o ar, mexe em tudo e não compra nada, a malvada.

Nós estávamos passando em frente ao Armazém e ela jogou-se para dentro. Nisto eu disse que iria esperar no café, em frente ao posto.

Peguei um cafezinho, para tomar, e me acocorei para apreciar o movimento. Domingo é um entra e sai de carro, por ali, que dá para ficar tonto.

Já que não tinha nada para fazer, comecei a olhar as placas dos automóveis para ver de onde eram. Tinha carro gaúcho, paulista e paranaense, aos montes. Mas o que mais me chamou a atenção foi uma Kombi, aqui de Florianópolis.

E vou te dizer que não é porque ela estava super bonita e conservada. O que mais me chamou a atenção foi um adesivo com a foto da minha família na “ bunda” da Kombi, rapaz.

Fiquei possesso, anotei a placa e procurei pelo dono, junto ao DETRAN, afinal tenho que preservar os meus direitos de imagem. Liguei para o proprietário do veículo e ele me disse que iria retirar o adesivo de seu carro, porém, pagaria para que sua esposa continuasse a usar nossa foto.

Perguntei se ela usaria o adesivo na frente ou no traseiro de seu carro. Ele respondeu que ela já havia feito a tatuagem no traseiro. Então, eu disse que não sabia que se fazia tatuagem em carros.

O infeliz deu uma risadinha, me perguntou quem havia me falado que a tatuagem era no traseiro do carro e desligou na minha cara.

domingo, 12 de setembro de 2010

56. Conta outra...


Mô Quiridu,

Fui levá o Mandrião prá dá uma aliviada i o bicho disapareceu-se da minha frente. Aquilo é lento qui é uma porca, maj mi cegô i Ô nô vi nem o cheru du atentado. O nô fij quextâ di percurá muito i já ia vortanu pra casa, quanu o Crebe me ligo pra mim. Nô tem?


Crébe: Alô Ixtepô, ej tu?
Ixtepô: Quem havéra di sê, rapaj?
Crébe: Me dij uma coisa pra mim: Tu andaj naj redondeza aqui di casa?
Ixtepô: Cá di que tu quéj sabê?
Crébe: É qui tem um guapeca inguli o Mandrião si avançanu im mim.

No que viro aj coxta, lá tava o mandrião em pé, roxnanu pru Crébe. O Dixfaucei e arexpondi a pregunta:

Ixtepô: Crebe, mô quiridu, na verdadi Ô to in casa, joganu um dominozinho cá Joaquina. Intendesse?
Crébe: Nô menti qui é pecadu, rapaj. O cachorro na minha frente é aj fuça do Mandrião.
Ixtepô: Seje bobo, o Mandrião tá aqui in casa, no colo da Joaquina.
Crébe: Será si é?
Ixtepô: Claro qui é, sô abobado.
Crébe: Intão tá!
Ixtepô: Maj me dij pra mim, o cachorro que tá ti apurrinhanu qué comê o osso qui o Onodi tem na boca?
Crébe: Nô rapaj, ele comeu o mô Òquimem i agora tá di zóio no mô celulari.
Ixtepô: Intendi, Intendesse?
Crébe: Ixtepô, cume qui tu sabej qui o Onodi tá cum osso na boca?
Ixtepô: Dixcurpa Crébe, a ligaçã tá ruim vô tê qui dixligá, mô quiridu.
Crébe: Ixtepô, sô degranido, a tua discurpa inxfarrapada nem esse tô purguentu, com bucho di avextruj, consegui inguli.

Traduzindo.....

Meu Querido,

Fui levar o Mandrião para fazer as necessidades e o animal desapareceu da minha frente. Ele é lento que é uma porca, mas me cegou e não senti, nem mais, o seu cheiro. Não fiz questão de procurar muito e já estava voltando para casa, quando o Crébe me ligou.

Crébe: Alô Ixtepô, és tu?
Ixtepô: Quem haveria de ser?
Crébe: Me diga uma coisa: Tu andas nas redondezas aqui de casa?
Ixtepô: Porque queres saber?
Crébe: É que tem um vira-latas igual o Mandrião avançando em mim.

No que viro às costas, vejo o Mandrião, em pé, rosnando para o Crébe. Eu disfarcei e respondi sua pergunta:

Ixtepô: Crebe, meu querido, na verdade eu estou em casa, jogando dominó com a Joaquina. Entendeste?
Crébe: Não mente que é pecado, rapaz. O Cachorro a minha frente é a cara do Mandrião.
Ixtepô: Não seja bobo, o Mandrião está aqui em casa, no colo da Joaquina.
Crébe: Será ?
Ixtepô: Claro que está.
Crébe: Então tá!
Ixtepô: Mas me diga, o cachorro te incomodando está querendo comer o osso que o Onodi tem na boca?
Crébe: Não rapaz, ele comeu o meu Walkman e agora está querendo o meu celular.
Ixtepô: Entendi. Entendeste?
Crébe: Ixtepô, como tu sabes que o Onodi está com um osso na boca?
Ixtepô: Desculpa, a ligação está ruim vou ter que desligar, meu querido.
Crébe: Ixtepô, seu infeliz, esta tua desculpa esfarrapada nem teu cachorro, com estômago de avestruz, consegue engolir.

sábado, 28 de agosto de 2010

55. Quem casa, quer casa.

Mô Quiridu,

Quanu Ô i a Joaquina casemu, nój era bem novinho i nô tinha um gato prá puxá pelu rabo. Cosa máj orrivi! A má mãe era virva i o mô pai já tinha batidu cá coçuleta. Intendesse? Ansim ela nôj convidô, oj dôj, prá morá numa casinha qui ficava noj fundu do terreno dela. Nô tem! A Joaquina nô quiria, di manera nenhuma, máj o di um jeito di convencê ela.

Ô nô perciso ti dizê, pra ti, qui a lua-di-méli foi pará nu inxpaço, rapaj. I nój passemu a noiti di núnpicia na casinha qui foi presenti da mãe. Di manhã bem cedinho, a Joaquina si levanto-si pra ariá oj denti i viu uma sombra numa daj janela. Ela arredô a coutina i viu dôj copu di suco, um cum gardanapi azuli, outro cum gardanapi cor-di-rosa.

Ela pegô oj dôj i levô prá genti bebê na cama i nój fiquemu muito facero cá atençã qui a mãe tinha noj dado. A Joaquina inda falô da sorti qui teve di arrumá uma sogra inguali essa i qui tava arrependida, di tê mi faladu qui perferia morá noj cafundó do judaj, do que no terreno da mãe.

Notro dia, lá pelaj sêj, a Joaquina si levanto-si cedo, dinovo, pegô o pinicu prá dispejá i encontrô oj copu di suco na janela outra vêj. Tomemu u suquinho na cama i drumimo máj um pocu. Nój tavu casadu há trêj dia i ainda nô tinha saído di casa, cá di quê a genti tavu muito acachapadu. Indendesse o quéj cô inxrpique?
Nój casemu numa sexta i isso já era segunda-fera di madrugada. Di repenti, uma batida forte náj tauba, oiei o relóge, i era sêj i meia. Deu di vê o vurto da mãe correndu i a sombra dôj copu, agora na janela du nossu quartu.

Tu sabij co sô pexcadori i qui nunca nô tirei féraj. Ah, para ôhí! A premera semana di casadu é sagrada i parecia cá mãe nô intendia disso, rapaj. Ela bateu lá im casa, pra intregá o mardito do suco todoj dia, até nój vortá pro trabaio, uma semana depôj.

Ô saía bem cedinho prá pexcá i a Joaquina prá fazê renda, junto caj amiga. Lá pelaj dej, nój vortava i sempre incontrava oj dôj copo di suco côj guardanapi azuli i rosa, agora im cima da mesa.

Sabi cô goxtava daquilo. Nô dá di dizê qui a Joaquina goxtava tomem, oh! Na verdadi ela odiava, inda máj qui a mãe começô a arrumá a casa, quanu ia dexá o suco. Ô nem arreparava, máj a Joaquina dizia qui tava tudo mexidu. Cheguemo a dixcuti pur causa disso i ela disse cô era um mimadu, cheiu di barda.

Um dia a Joaquina nô foi trabaiá i fico inxcondida só inxperanu a mãe chegá. Premero ela armo o engodo i trocô tudo, o que a véia tinha arrumado, di lugari. No deu outra, a mãe chego, largô oj copu na mesa i barreu a sala da casinha. Nu qui ela foi arredá o sofá, a Joaquina apareceu i gritou:

Joaquina: QUE QUI A SENHORA TÁ FAZENU AQUI?
Sogra: Quéj mi matá di suxto sua degranida? Ô só vim aqui pra deixá o suquinho di vocêj.
Joaquina: Fique sabenu co nô quero máj essa porcaria di suquinho. Nô quero máj, intendesse?
Sogra: Intendi!

Quanu cheguemu im casa no otro dia, depôj do ocorrido, em cima da mesa só tinha um copu di suco i cum guardanapi azuli. A Joaquina viro aj coxta, saiu i alugô uma pecinha na casa duma visinha. Nój moremu lá por sêj mêj, máj até hoje a Joaquina nô podi nem vê suco no café da manhã.

Traduzindo.....

Meu Querido,

Quando eu e a Joaquina casamos, eramos bem novinhos e não tínhamos um gato para puxar pelo rabo. Coisa horrível! A minha mãe era viúva e meu pai já havia morrido. Entendeste? Assim, ela nos convidou, os dois, para morar numa casinha que ficava aos fundos do terreno dela. A Joaquina não queria, de forma alguma, mas dei um jeito de convencê-la.

Eu não preciso te dizer que nossa lua-de-mel foi para o espaço, rapaz. E nós passamos a noite de núpicias na casinha que foi presente da mãe. De manhã cedo, a Joaquina se levantou para escovar os dentes e viu uma sombra em uma das janelas. Então afastou a cortina e viu dois copos de suco, um com guardanapo azul, outro com guardanapo cor-de-rosa.

Ela pegou os dois copos e levou para bebermos na cama, nós ficamos muito felizes com a atenção prestada por minha mãe. A Joaquina ainda falou da sorte que teve em conseguir uma sogra como esta e que estava arrependida, por ter falado que preferia morar isolada, do que no terreno da minha mãe.

No outro dia, perto das seis horas, a Joaquina levantou-se cedo, novamente, pegou o penico para despejar e encontrou os copos de suco, na janela, outra vez. Tomamos o suco na cama e dormimos mais um pouco. Estávamos casados há três dias e ainda não tínhamos saído de casa, porque estávamos muito cansados. Entendeste ou queres que explique?

Casamos numa sexta-feira e já era segunda de madrugada. De repente, uma batida forte nas tábuas da parede, olhei o relógio e eram seis e meia. Deu para ver o vulto da mãe correndo e a sombra dos
copos, agora na janela do nosso quarto.

Tu sabes que sou pescador e que nunca tirei férias. Mas espera ai! A primeira semana de casado é sagrada e parece que a mãe não entendia isto, rapaz. Ela bateu lá em casa para entregar o maldito do
suco todos os dias, até voltarmos para o trabalho, uma semana depois.

Eu saía bem cedo para pescar e a Joaquina para fazer renda, junto com as amigas. Perto das dez, nós voltávamos e sempre encontrávamos os dois copos de suco o guardanapo azul e rosa, agora sobre a mesa.

Sabe que eu gostava daquilo. Não da para dizer que a Joaquina gostava também. Na verdade ela
odiava, ainda mais que a mãe começou a arrumar a casa, quando ia deixar o suco.

Eu não reparava, mas a Joaquina dizia que tudo estava mexido. Chegamos a discutir por causa disto e ela disse que eu era mimado e cheio de vontades.

Um dia a Joaquina e não foi trabalhar e ficou escondida, esperando a mãe chegar. Primeiro
ela jogou a isca e trocou tudo, o que a velha havia arrumado, de lugar. Não deu outra, a mãe chegou, largou os copos sobre a mesa e varreu a sala da casinha. No que ela foi afastar o sofá, a Joaquina apareceu e gritou:

Joaquina: O QUE A SENHORA ESTÁ FAZENDO AQUI?
Sogra: Queres me matar de susto sua desgraçada? Eu só vim aqui para deixar o suco de vocês.
Joaquina: Fique sabendo que eu não quero mais esta porcaria de suco. Não quero mais, entendeste?
Sogra: Entendi!

Quando chegamos em casa no outro dia, depois do ocorrido, sobre a mesa havia só um copo de suco e com guardanapo azul. A Joaquina virou as costas, saiu e alugou uma pecinha na casa de uma vizinha. Moramos lá por seis meses, mas até hoje a Joaquina não pode ver qualquer tipo de suco no café da manhã.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

54. Pensamentos de um não-candidato

Mô Quiridu,

Domingo passadu Ô di uma intrevixta, pro Jornal do Canal, inxpricanu pruque nô sô candidato naj enleiçã 2010. O reporti fêj a matéria i dixtacô argumja daj minha frázia, qui agora divido cuntigo. Intendesse!

1. “DEPÔJ DAS REDE DE RELACIONAMENTU, VIRÃO AJ TARRAFA DE RELACIONAMENTU.”
Sobre o futuro da Internet, Orkut, Facebook e Twitter.

2. “SÓ O PIRÃO DI NAILO É 100% RECICRÁVE. INTENDESSE?”
Sobre a degradação dos plásticos na natureza.

3. “PEIXE BOM É MORTO, FRITO I COM PIRÃO.”
Sobre a proliferação da cozinha oriental em Florianópolis.

4. “ ONODI,ONODI,ONODI . QUÉJ CÔ REPITA?”
Sobre a questão de ter dado apoio a determinado candidato político.

5. “PEXCO, LOGO INZIXTU!”
Sobre a sua filosofia de vida.

6. “PARECIA UM TAINHA OVADA. CREDO!”
Sobre menino com verminose no Sul da Ilha.

7. “UMA CANOA DUM PAU SÓ, UMA KOMBI, UM CURIÓ E UM CACHORRO PAPA-OVU.”
Sobre a sua lista de bens.

8. “SI PREGUNTÁ DINOVO, DÔ-TI CÁ CHUMBADA DA TARRAFA NOJ BEIÇU.”
Sobre a hipótese de sua candidatura.

9. “ PEXCADORI NÔ MENTE, QUIRIDU! SÓ OMENTA UM POQUINHU.”
Sobre a relação da mentira com a pescaria.

10. “ Ô TENHU MÁJ O QUI FAZÊ. TU TENJ TEMPO NÉ,ÔH!”
Sobre a possibilidade de alongar a entrevista.
Traduzindo.....

Meu Querido,


Domingo passado fui entrevistado pelo Jornal do Canal e expliquei porque não sou candidato nas eleições 2010. O repórter fez a matéria e destacou algumas frases, de minha autoria, as quais divido contigo agora.

1. “DEPOIS DAS REDES DE RELACIONAMENTO, VIRÃO AS TARRAFAS DE RELACIONAMENTO.”
Sobre o futuro da Internet, Orkut, Facebook e Twitter.

2. “SÓ PIRÃO DE NAYLON É 100% RECICLÁVEL. ENTENDESTE?”
Sobre a degradação dos plásticos na natureza.

3. “PEIXE BOM É MORTO, FRITO E COM PIRÃO.”
Sobre a proliferação da cozinha oriental em Florianópolis.

4. “ EU NÃO DEI, NÃO DEI, NÃO DEI. QUERES QUE EU REPITA?”
Sobre a questão de ter dado apoio a determinado candidato político.

5. “PESCO, LOGO EXISTO.”
Sobre a sua filosofia de vida.

6. “PARECIA UM TAINHA COM OVA. CREDO!”
Sobre menino com verminose no Sul da Ilha.

7. “UMA CANOA DE UM PAU SÓ, UMA KOMBI, UM CURIÓ E UM CACHORRO VIRA-LATAS.”
Sobre a sua lista de bens.

8. “ SE PERGUNTAR NOVAMENTE, TE BATO COM A CHUMBADA DA TARRAFA NA BOCA.”
Sobre a hipótese de sua candidatura.

9. “ PESCADOR NÃO MENTE, QUERIDO! SÓ AUMENTA UM POUCO”
Sobre a relação da mentira com a pescaria.

10. “ TENHO MAIS O QUE FAZER. TU TENS TEMPO!”
Sobre a possibilidade de alongar a entrevista.