quarta-feira, 29 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
22. O Rodízio

Mô Quiridu,
Adjaôj, Ô i o Crébe passemo a tardi todinha joganu dominó lhá na Praça XV, ôh. Ele é o mô baita amigo, máj o pióri parcero qui arguém podi di tê no dominó. Nô tem? Máj dissu tudo, o qui importa meso é qui esse foi o dia di sorte do Crébe i nój ganhemo a nossa premera partida junto. Na verdadi nój abafemo no jogo, rapaj. Ele si emociono-se todo i mi convidô pra fextejá, nossa vitória, num rodizo de pizza. Ô nem sabia o que era o tali do rodizo dereito, máj fui cheio do orguio...
Crébe: Ãh-ãh-ãh! Tu me desse a alegria máj grandi da minha vida! Ô tinha qui ti trazê num lugari di categoria, quiridu.
Ixtepô: Tu váj deixá unj pila aqui, isso deve di se caro. Vê só, essej baita quejão dipindurado no teto, aj carni adefumada, aj toaia xadreza náj mesa. Qui finura é essa, rapaj!
Crébe: Tu nô visse nada, aqui elej seve prá máj di duzentaj e trinta e sete qualidade de pizza.
Ixtepô: Táj dizenu qui dá di cume a miguéli, é isso que tu ta dizenu?
Crébe: Então, então! Si cabê, tu podij cumê um pedaço ou máj, di cada uma delaj. Dá di si impanziná. Entendesse?
Ixtepô: Côsa linda!
Crébe: Ixtepô! Pára di botá reparu in tudo, rapaj.
Ixtepô: É ca agora cô intendi, qué côj garçom ando arrodiando pela aí, ôh. Issu qui é o tali do rodizo!
Crébe: Então, pronto prá começá?
Ixtepô: Qué cô faço?
Crébe: É só virá esta bolachinha de prástico pro lado verdi. Isto qué dizê qui nój queremo cumê. Se virá pro lado vermeio é sinali qui já tamo cheio. Entendesse?
Ixtepô: Côsa fina meso, Crébe! Vô dá o sinali então...
Foi Ô virá a bolachinha i oj garçon começaru a chegá inguali pexe no engodo. Aquilo era um cardumo preto i branco i cada um delej quiria largá um pedacinho nu mô prato. No deu cinco minute i Ô já tinha comido dizoito fatia di pizza. Ô pensei qui tinha qui aceitá tudo qui elej mi oferecia, né ôh! Máj ô ví qui o Crébe tava deixanu passá argumaj, daí perguntei prá ele:
Ixtepô: Crébe, tu nô mi dissésse ,prá mim, virá a bolachinha si nô quizesse cumê, mô quiridu?
Crébe: Disse.
Ixtepô: Máj tu táj neganu argumaj i nô vira o sinali.
Crébe: Nô é ansim, sô tanso! Só si muda o sinali pro vermeio quanu acabá di cume.
Ixtepô: Rapaj, Ô sô um abobado meso, né ôh! Ô tava achanu qui issu era inguali sinalera: Verde-quero, vermeio –nô quero, verde-quero, vermeio –nô quero....
Crébe: Daí era bom di tê um sinali amarelinho, ansin : ATENÇÃ, mô quiridu, tô quagi empanzinado.
Ixtepo: Éj um atentado né ôh! Vamu pará de ixtória i continuá cumenu.
Crébe: Tá bom. Qui tali uma ceuvejinha prá acompanhá?
Ixtepo: Adiscurpa, máj Ô queru um daquelej refrigeranti qui derrete tudo qui encontra pelaj frenti.
Crébe: Vamo de Soda Cola, então?
Ixtepô: Máj da normali i cum limão galego! Nô mi vem co aquelaj coisa meia alambicada di laiti o zéru!
Crébe: Azulasse mô quiridu!
Ixtepô: Isso é farinha poca pro mô pirão, sô abobado! Ô até cumia máj unj cinco o sêj pedaçu só qui nô tem do sabori cô goxto.
Crébe: Tenj tempo né, oh! Duzentaj e trinta e sete qualidadi deferente de pizza e nô tem a qui tu goxtaj.
Ixtepô: Então dá só uma oiadinha no cardápe. Se tu achá pizza de tainha, Ô continuo cumeno, até amanhã, mô quiridu.
Traduzindo.....
Meu Querido,
Hoje, eu e o Kléber passamos a tarde jogando dominó lá na Praça XV. Ele é o meu melhor amigo, mas o pior parceiro que alguém pode ter no dominó. O que importa mesmo é que este foi o dia de sorte do Kléber e, pela primeira vez, nós ganhamos uma partida juntos. Na realidade nós jogamos muito. Ele ficou todo emocionado e me convidou para comemorar, nossa grande vitória, em um rodízio de pizzas. Eu não sabia direito o que era o tal rodízio, mas aceitei o convite muito satisfeito......
Ixtepô: Só tu mesmo para me trazer num restaurante chique destes, meu querido!
Kléber: Ixtepô , hoje tu me destes a maior alegria da vida! Eu tinha que te trazer num lugar de categoria.
Ixtepô: Tu vais gastar um nota preta aqui. Olha só, estes queijos enormes pendurados no teto, carne defumada, as toalhas xadrezes, o que é isto?
Kléber: Tu não vistes nada, aqui eles servem duzentas e trinta e sete variedades de pizzas. Se tu conseguires, podes comer um pedaço , ou mais, de cada uma delas.
Ixtepô: Então eu posso comer muito mesmo?
Crébe: Se couber pode comer um ou mais pedaços de cada uma. Dá para se empanzinar comendo.
Ixtepô: Maravilha!
Crébe: Ixtepô, tu não para de olhar para tudo, rapaz!
Ixtepô: Agora entendi o que os garçons estão fazendo rodando por ai. Isto é o tal do rodízio.
Kléber: Vamos começar?
Ixtepô: Como é que eu faço?
Kléber: É só virar esta bolachinha de plástico para o lado verde. Isto significa que a gente está comendo. Quando virarmos para o lado vermelho indica que não queremos mais.
Ixtepô: A coisa é fina mesmo, meu querido. Vou dar o sinal então...Foi eu virar a bolachinha e os garçons começaram a chegar igual peixe na isca. Era um cardume preto e branco e cada um queria deixar um pedaço no meu prato. Em menos de cinco minutos eu já tinha comido dezoito fatias de pizza. Eu pensei que tinha que aceitar todo o sabor que eles ofereciam mas, percebi que o Kléber estava recusando alguns e perguntei:
Ixtepô: Kléber tu não disseste que quando nós não quiséssemos mais, deveríamos virar a bolachinha?
Kléber: Disse.
Ixtepô: Mas você está recusando algumas e não vira o sinal.
Kleber: Não é assim! A gente só muda o sinal para vermelho quando acabar.
Ixtepô: Rapaz, eu sou tolo mesmo, achei que o negócio funcionava igual semáforo: Verde-quero, vermelho–não quero, verde-quero, vermelho –não quero....
Kleber: Daí era bom um amarelo dizendo: Atenção já estou quase cheio.
Ixtepo: Bobalhão! Vamos continuar comendo.
Kleber: Tá bom. Que tal uma cervejinha para acompanhar?
Ixtepo: Desculpa meu querido, mas eu quero um daqueles refrigerantes que derrete tudo que encontra pela frente.
Kléber: Vamo de Soda Cola, então?
Ixtepô: Mas da normal e com limão galego! Não me vem com aquelas frescuradas de Light ou Zero!No que tomei a Soda Cola, abriu-se um espaço no meu estômago e eu comi mais setenta e três pedaços. Foi pizza de presunto, tomate, palmito, brócolis, champignon, calabresa, portuguesa, mignom, 4 queijos, 5 queijos, 6 queijos, sem falar das doces. Tinha até de chocolate com morango, melancia com melado e de sorvete . A comilança foi tamanha que me deu um tremor e eu tive de virar a bolachinha. O Kléber que ainda estava comendo, me olhou, riu e soltou outra piadinha:
Kléber: Se entregou meu querido!
Ixtepô: Isto não é nada para mim! Eu até comia mais uns cinco ou seis pedaços, mas não tem do sabor que eu gosto.
Kléber: Tu estás brincando! Duzentas e trinta e sete qualidades diferentes de pizza e não tem o sabor que tu gostas.
Ixtepô: Então dá uma olhadinha no cardápio, querido. Se tu encontrares pizza de tainha, eu continuo comendo até amanhã.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
21. O Boi-de-Matisse
A Joaquina sempre gostô muitcho de cunversá i agora, cô Neto moranu cá gente, ela tem quem azucriná caj ixtória dela. Ô já conheço todaj bem dereitinho, de tráj prá frente i no guento máj. Bom, onti nój tava sentado na frente di casa, depôj da janta, quanu o Neto se atraco-se a falá qui tava inxtudanu oj grande Pintori da Humanidade. Aquilo é otro qui parece qui tem cósca na língua, ôh! Ele disse qui percisava fazê um trabaio da inxcola, contanu arguma côsa deferente da vida dum delej. A Joaquina nô se aguento-se e tomô conta do assunto:
Joaquina: Neto, tu táj inxtudano oj grande Pintori, nô táj? Pelum acauso tu já ouvisse falá do Victor Meirelles, mô quiridu?
Neto: Bah, claro que sim, vó! Ele é um grande ícone.
Joaquina: Íncuni, táj tolo táj? Ele era um manézinho, isso é qui ele era, sô tanso! Na verdadi ele nasceu aqui, quanu Florianópoij inda si chamava Nossa Senhora do Desterro.
Neto: Vó, esta foi triboa. Eu quero dizer que o Victor Meirelles é um símbolo da arte de Florianópolis, do Brasil e do Mundo.
Joaquina: Agora intendi ! Entendesse?
Neto: E daí vó, tu conhece algum fato especial da vida dele? Tô triafim de saber. Conta aí, enquanto eu tomo este chima.
Joaquina: Então nô sei! Maj Ô vô ti contá, pra ti, otra hora. Agora tu váj sabê é da temporada qui o Matisse passô aqui in Florianópij.
Neto: Bah, tchê! Tu tá falando do Henri Matisse, o famosos pintor francês, vó?
Joaquina: É claro rapaj! Di quem havéra di sê?
Neto: E quando foi que o Matisse visitou Florianópolis?
Joaquina: Pôj então! Foi na épuca da segunda guerra mundiali.
Neto: Bah, vó tu não é fácil. Eu também li que o Matisse pensou em vir morar no Brasil, durante a guerra. Inclusive ele tava pronto para a viagem, já tinha até passaporte o carinha. Mãs, espera um pouco. Como tu sabe disto, andaste lendo a respeito?
Joaquina: Nô sêje abobado, rapaj! Foi a minha mãe qui me contô, pra mim, quando Ô ainda era rapariga piquena.
Neto: Este é do tempo do epa, vó! Mãs eu to pronto para ouvir o causo todo.
Joaquina: Tu ta mi danu linha, né oh! Bom, disse a mãe qui ele chegô por aqui muitcho intristecido i só ca roupa do corpo.
Neto: Mãs, onde ele ficou em Florianópolis?
Joaquina: Aquilo andô por aqui e por ali, máj si encantou-se com a luj do soli i da lua na nossa Lagoa da Conceição. Então, decidiu morar aqui na Barra da Lagoa por um tempo.
Neto: Conta mais vó, to tricurioso.
Joaquina: Ele nô era di muitcha falaçã, tinha um sotaqui meio inxtranhu i goxtava de saí pro mar côj pexcadô. Máj ninguém nô sabia nem o nomi do degranido. Todo mundo chamava ele di “O Francêj”.
Neto: E ele pintou muito, enquanto esteve aqui?
Joaquina: Vô ti dizê qui não. A mãe disse que só ficaru sabenu qui ele era artista na úrtma semana, poco antij dele vortá pra França.
Neto: Como assim?
Joaquina: Tava na épuca do folguedo de boi-de-mamão e o meu pai convidô o Francêj pra assisti a apresentaçã do grupe dele.
Neto: Bah, nada a vê vó! Matisse em festa de Boi-de-mamão?
Joaquina: Nô impomba, deixa Ô falá, rapaj ! O Francêj foi na fexta, goxtô daj música, daj cori i doj movimento. Si encanto-se i toda hora sortava um tali di “ Cefantastic”.
Neto: Vó, teu causo ta tribom, mãs eu ainda não consegui entender como descobriram que ele era o artista plástico Henri Matisse.
Joaquina: O cô sei é qui ele tava ali, todo atolexmado assistino o boi, sentado numa cadeira de paia. Bem do ladinho dele, tinha uma menininha brincanu cunj pedaço de papeli, uma tesourinha i unj vrido di tinta guache. Ele nô si aguanto-se i pegô unj papeli, pintô di guache e começô a corta i colá umaj figura.
Neto: Vai me dizer que ele criou alguma obra com recorte aqui em Floripa.
Joaquina: Uma obra, tu quéj dizê um quadro? Qui nada, rapaj! Ele fêj foi a séria “ boi-de-Matisse” todinha. I tem máj, deu aj obra tudo di presente pro pessoali qui organizô a fexta. Aqueles trêj quadro lá na sala são dele. Nô tem?
Neto: Valeu vó, meu trabalho vai ficá tri bagual! Vou até tirar umas fotos dos quadros.
Joaquina: Tu anotasse tudo o qui Ô falei, no bróco, nô anotasse?
Neto: Claro! Mãs me conta a verdade, a criancinha brincando com a tinta, a tesourinha e os papéis era tu, não era vó?
Joaquina: Sêje bobo rapaj, Ô nô vô dizê pra ti. Tu querej é sabê a minha idade,né sô confiado?
Traduzindo.....
A Joaquina sempre gostou muito de conversar e agora, com o Neto morando com a gente, ela tem para quem cotar e recontar as velhas histórias, das quais, eu conheço a grande maioria. Ontem, nós estávamos sentados em frente a nossa casa, depois do jantar, quando o Neto resolveu falar que estava estudando os grandes pintores da humanidade. Aquele é outro que fala sem
parar. Disse, ainda, que precisava fazer um trabalho, para a escola, tratando de um fato inusitado na vida de um deles. Neste ponto, a Joaquina tomou as rédeas da conversa e começou a tagarelar:Joaquina: Neto, meu querido! Se tu estás estudando os grandes pintores, provavelmente já ouviste falar no Victor Meirelles.
Neto: Claro que sim, vó! Ele é um grandes ícone.
Joaquina: Que ícone, menino? Ele é um manézinho, isto sim. Na verdade nasceu aqui, quando Florianópolis ainda se chamava Nossa Senhora do Desterro.
Neto: Eu sei disto, vó. Eu quero dizer que ele simboliza a arte de Florianópolis, do Brasil e do Mundo.
Joaquina: Agora entendi!
Neto: E daí vó, tu sabes algum fato diferente sobre a vida dele. Conta ai, enquanto eu tomo este chimarrão.
Joaquina: Então não sei! Mas eu te conto outra hora. Hoje eu quero te falar sobre a estada do Matisse em florianópolis. Quer fato mais inusitado que este?
Neto: Vó, tu estas falando do Henri Matisse, o famosos pintor francês?
Joaquina: É claro que estou! Que outro seria?
Neto: E quando foi que o Matisse visitou Florianópolis?
Joaquina: Pois então! Foi na época da segunda guerra mundial.
Neto: Tu não és fácil, vó. Eu também li que o Matisse pensou em vir morar no Brasil, durante a guerra. Inclusive ele já tinha até passaporte pronto para a viagem. Mas, espera um pouco. Como tu sabes disto, andaste lendo a respeito?
Joaquina: Claro que não. Foi minha mãe quem me contou, tudinho, quando eu ainda era menina.
Neto: Mas agora és tu quem vai me contar esta história toda, vó.
Joaquina: Disse a mãe, que ele chegou por aqui muito entristecido só com a roupa do corpo.
Neto: E onde ele ficou em Florianópolis?
Joaquina: Ele andou por aqui e por ali, mas se encantou com a luz do sol e da lua, relfetidas em nossa Lagoa da Conceição.
Então, decidiu morar aqui na Barra da Lagoa, por um tempo.
Neto: Conta mais vó.
Joaquina: Ele falava pouco, com um sotaque meio estranho e gostava de sair para o mar com os pescadores. Mas nem o nome dele as pessoas sabiam, todos o tratavam como “ O Francês”.
Neto: E ele pindou muito, enquanto esteve aqui?
Joaquina: Pois tu sabes que não. A mãe disse que só ficou sabendo que ele era artista na última semana, ates dele partir.
Neto: Como assim?
Joaquina: Era época de folguedo de boi-de-mamão e o meu pai convidou o Francês para assistir a apresentação de seu grupo. Neto: Nada a ver vó. Matisse em festa de Boi-de-mamão?
Joaquina: Calma menino, deixa eu falar! O Francês foi à festa, gostou muito da música, das cores e do movimento. Ficou
maravilhado e a todo momento soltava um tal de “ C’est Fantastique”.
Neto: Vó, tá muito boa a sua história, mas ainda não consegui entender como descobriram que ele era o artista plástico Henri Matisse.
Joaquina: Dizem que ele estava ali maravilhado, assistindo o boi, sentado em uma cadeira de palha. Ao seu lado, uma menininha brincava com pedaços de papel, uma tesourinha e alguns vidros com tinta guache. Certo momento ele pediu parte do papel, pintou com guache e começou a recortar e a colar figuras.
Neto: Vai me dizer que ele criou alguma obra aqui!
Joaquina: Que nada! Ele fez foi a série “ boi-de-Matisse” todinha e pesenteou os organizadores do folguedo. Aqueles três
quadros lá na sala são dele.
Neto: Valeu vó, o meu trabalho vai ficar muito bom! Vou até tirar umas fotos dos quadros.
Joaquina: Anotastes o que eu falei?
Neto: Claro. Mas me conta a verdade. A criancinha brincando com a tinta, a tesourinha e os papéis era tu, não era?
Joaquina: Não vou dizer. Tu queres é saber a minha idade,não é seu abusado?
quinta-feira, 16 de julho de 2009
20. Se pode, pode...
Mô Quiridu! Despôj di cinco ano, o Deca está de vorta a Florianópij. Ele é o filho máj novo do Badejo i si criô-se aqui, na Barra da Lagoa. Ô mi a lembro qui ele nô goxtava di pexcá i vivia cum livro dibaxo du braço. Nô é qui o rapaj inxtudo, si formo-se, viajô i vortô Dotô, lhá do Avaí. Entendesse? Onti ele teve, cá família dele, jantanu lhá em casa. Nój falemo muitcho máj, Ô tenho que ti contá, pra ti, o menuj uma parte da cunversa:
Joaquina: Brigada, nego! Máj tá tão,tão,tão simprizinha!
Ixtepô: Nô sêje tansa, má quirida! Ô vô ti dize, pra ti, qui nô inzixti uma tainha no feijão, inguali a tua, im nehum otro lugari do mundo.
Joaquina: Goxtasse meso, Deca?
Ixtepô: Nô percisa mem priguntá, o rapaj já tá empanzinado di tanto qui comeu, ôh!
Deca: E esta farinha, fina e saborosa, então.
Ixtepô: Isso é herança açoriana, mô quiridu.
Deca: Por falar em açorianos. Vocês sabem que eles tiveram presentes no Hawaii e deixaram suas marcas por lá?
Ixtepô: O rapaj atentado! Dexa di dizê bobage, Deca.
Deca: Eu não estou brincando com vocês. Eles estiveram por lá sim.
Ixtepô: Então, então! Elej deixaro muitchas marcas?
Deca: Nem tanto, quanto aqui. Mas a frase estampada na camiseta que trouxemos, só pode ser açoriana.
Ixtepô: Dexa Ô lê! IF CAN, CAN. IF NO CAN, NO CAN.
Deca: E então?
Ixtepô: Deve di sê arguma côsa do tipe: Quéj, Quéj. No quéj, dij!
Deca: É mais ou menos por ai.
Ixtepô: Côsa linda, quiridu! Arrombassi com esse presente,ôh.
Se pode, pode. Se nô pode, nô pode!
Traduzindo.....
Passaram-se cinco anos e o Deca está de volta a Florianópolis. Ele é o filho mais novo do Badejo e cresceu aqui, na Barra da Lagoa. Eu lembro que ele não gostava muito de pescar com o pai e vivia sempre com um livro na mão. Pois o rapaj estudou, formou-se, viajou e voltou Doutor, lá do Hawaii. Ele e a família foram jantar, em nossa casa, ontem. Nós conversamos bastante e eu tenho que te contar parde desta conversa :
Deca: ... Eu estava com saudades desta comidinha gostosa da Dona Joaquina!
Joaquina: Mas é tão simples!
Ixtepô: Não sejas boba
Joaquina. Uma tainha no feijão não se encontra em qualquer lugar não.
Deca: E esta farinha, fina e saborosa, então.
Ixtepô: Isto é herança açoriana, meu querido.
Deca: Por falar em açorianos. Vocês sabem que eles tiveram presentes no Hawaii e deixaram suas marcas por lá?
Ixtepô: Tu é um gozador! Para de brincadeira, meu querido.
Deca: Eu não estou brincando com vocês. Eles estiveram por lá sim.
Ixtepô: E a influência deles na cultura foi muito grande?
Deca: Não foi tão marcante, quanto aqui. Mas a frase estampada na camiseta que trouxemos, para vocês, só pode ser
açoriana.
Ixtepô: Deixa eu ler! IF CAN, CAN. IF NO CAN, NO CAN.
Deca: E então?
Ixtepô: Deve ser o equivalente ao nosso: Quéj,
Quéj. No quéj, dij!
Deca: É mais ou menos por ai.
Ixtepô: Adorei meu querido, eu não podia ganhar nada melhor.Nisso, o Neto levantou-se e foi correndo verificar a frase, na internet. O rapaz é ligeiro! Até encontrou um site vendendo as tais camisetas . Para tu não dizeres que esta, também, é história de pescador. Dê uma olhadinha no site:
http://store.localkinehawaii.com/ifcacaifnoca.html
Se queres, queres. Se não queres, diz!
Se pode, pode. Se não pode, não pode!