segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

62. Aonde a vaca vai ?

Mô Quiridu,

Faj uma missidade di tempu cô nô inxcrevu , maj Ô si alembrei dum causu qui si assucedeusse cumigu, naquelaj éupuca cô ainda era rapaj jovi, i cô tenhu qui ti conta pra ti. Intendesse?

O cô vô ti dizê pra ti, aconteceu quandu Ô tinha unj dizoito anu, logu cô tirei a minha premera carta di motorixta. Naquele anu nô deu di matá um pexinho i nô dava di ajudá o pai i a mãe caj cosa da casa, nu rextu du anu.

Ô sempre fui aprecavidu i decidi apercurá seuviço notra funçã. Ô tavu todo atentado ca minha carta na mão e fui atraj duma vaga di motorixta di ônjs, numa firma bem piquininha qui a recém tava começanu.

Djaoji ô veju qui Ô percisava do trabalhu i elij tavu numa corriria pra arranjá um motorixta. Nô tem! Ô si apareci na intrevixta num domingue di manhã i dava di começá naquela noiti mesu, era só querê.

A rapariga qui fico di cunveuça cumigo mi inxpricô qui a viagi nô era muito cumprida, mi apreguntô sô tinha medu di dirigi di noiti i falô côj passageru era tudu inxtudanti da UFÉSQUI, vortanu pra casa pra vê oj familiero delej. Credo!

O si invervei um poco, deu até um inxtremiliqui nas peuna, maj ô agarrei o emprego.

Deu dej hora i, difronti da redoviária da cidadezinha, si ajuntosse toda aquela inxtudantada prá entrá no ônj. Era tanta, tanta, tanta genti , cô nem nô sabia cumé qui é qui elij io si ajeitá lá drentu. Oj premero cuarenta i sej si assentaru, oj outro trinta excomungado si impuleraro noj barço doj banco, sentaru no corredô, si ajeitatu. Vo ti dizê uma cosa pra ti! Ô sei qual era a montuera di aluno, cá di que elij tinha qui mi dá o tiquizinho da passagi. Tu si alembra dissu quiridu? Naquelij tempu dava di intupi oj ônj côj tanso doj passagero, dava di viajá di pé i fumá na viagi. Que qué isso, né oh!

Cumecemu o nosso suprício e tudo ainda tava bem amainado, si nô fosse aquela baita buraquera na inxtrada i o sono qui rabeava o ônj pro acoxtamento. Toda vej cô saiu da pixta, oj inxcumungado, degranido doj inxtudanti gritavu: OLÉÉÉÉÉÉÉE´!

Lá pru meio do caminhu, entre uma drumidinha i outra, Ô si acordei cum baita dum baruio. Deu di freiá o veiclu i dá uma olhadinha pra frente, só pra dá uma inxpiadinha. Intendesse! Uj faroli nô mi dexaru menti, rapaj. Elij tavu aluminado aqueli cadávi inxcangalhadu bem ali no chão, oh! Ô tinhu matadu uma vaca.

Ô mi pelei todo i di um berro proj pessoal sabê co tinhu assassinadu uma vaca. Falei cô nô ia saí dali antij do socorro chegá. Oj alune qui só pensavu em chegá im Floranópij antij daj meia noite, prá pegá o INXPRESSO TRINDADE, tomaru conta do meu ônj e me disseru pra mim continuá a viagi. Ah para né, oh!

Um baita dum galegão, qui si torno-si o líder da revelia, veio falá cumigo. Nô tem! Depoj di muita ladainha eli mi levô no piu. Ô aceitei continuá, maj com uma condiçã: Noj tinhu qui levá a inxcangalhada da vaca junto, afinali ela era a prova de tudo. O galegão, cheio daj inxtória, levô oj amigu tudo no piu tamém, oh! Ô tô pra vê rapaj ingambeladori como aquele galegão.

Toquemu o barco pra frenti, maj quanu ô vi o poxto doj poliça ô tivi qui para, né oh! Oj abobadu doj alune nô si acreditaru nô cô fij i o poliça si riu-si todo da minha cara.

Nissu, ô aresorvi abri o capô i amoxtra a vaquinha pra ele, nô tem! No que Ô ergui a porta, a bicha saiu cixpandu qui nô deu di vê nem a sombra da disinfilij. A degranida tava viva.

O poliça cuontinuô si abrindo-si todo da minha cara e mi disse pra mim qui nój tinhu caído no gorpe da vaca. Qué dizê, qui na veudade, ela já era até conhecida na regiã, por si fingi di morta pra robá oj viajanti.

Óio,io, ió! Ô pensei côj meu botão qui nòj tivemu sorti di nô sê afanado pela vaca. Daí, o poliça disse pra nój dá uma olhada no bagagero. Ô nô sei cumé qui ela fej, maj o porão do ônj tava vaziu.

No outro finali di semana, Ô tinhu um novo incontro com oj pessoali da capitlu da vaca. Toda vej qui um daquelij tanso entravu no onj i mi intregava o tiqui, sortava um baita dum MUUUUU!

Foi ali cô tivi a ceuteza qui percisava voutá pro meu barco. Intendesse!

Traduzindo...

Meu Querido,

Fazia um tempo que eu não escrevia, mas há alguns dias me lembrei de uma situação que aconteceu comigo, daquele tempo em que ainda era jovem e que não posso deixar de te contar. Entendeste?

O que eu vou te falar ocorreu quando eu tinha lá pelos meus dezoito anos, logo que eu tirei a minha primeira carteira de motorista. Naquele ano a pesca não foi nada boa e eu não tinha como ajudar o meu pai e a minha mãe, com as despesas de casa, ao longo daquele ano.

Eu sempre fui precavido e decidi procurar emprego em outro ramo. Empolgado porque havia recebido a minha primeira habilitação, busquei uma oportunidade como motorista de ônibus em uma empresa pequena que estava iniciando seus negócios.

Hoje eu vejo que assim como eu precisava do emprego, eles também estavam necessitando, urgentemente, de um motorista. Me apresentei para a entrevista em um domingo de manhã e se eu quisesse, naquela mesma noite já iria fazer a minha viagem inaugural.

A moça que me entrevistou explicou que o percurso não era muito longo, perguntou se eu tinha algum receio de dirigir na escuridão e, finalmente, ressaltou que os passageiros eram todos estudantes da UFSC, voltando para a capital após o final de semana com os familiares.

Fiquei um pouco nervoso, na verdade me deu um tremor nas pernas, mas eu aceitei a empreitada.

Dez horas da noite, na frente da rodoviária da cidadezinha, a estudantada começou a embarcar no ônibus. Era tanta gente que eu não sabia como a multidão iria se acomodar. Os quarenta e seis primeiros conseguiram assento, os outro trinta se encostaram aos bancos, sentaram no corredor, enfim deram um jeitinho. Eu sei da quantidade de alunos porque eles tinham que me entregar o bilhete de passagem. Lembra, naquela época dava para entulhar os ônibus com passageiros, viajar em pé e até fumar durante a viajem. O que é isto!

Começamos o trajeto e tudo andava bem, não fossem os buracos na estrada e o sono que de vez em quando me levava para o acostamento. Toda vez que eu saía dos trilhos, independente do motivo, a rapaziada gritava OLÉ.

Mas lá pelo meio do caminho, entre uma cochilada e outra, eu acordo com um barulho muito forte. Por instinto freie o ônibus e dei uma olhada para frente, para ver o que havia acontecido. Os faróis não me deixariam mentir, uma vez que iluminavam aquele corpo estendido ao chão. Eu havia atropelado uma vaca!

Me desesperei e gritei para o pessoal, avisando que tinha matado uma vaca e que não iria sair dali, enquanto não chegasse o socorro. Os alunos que queriam estar em Florianópolis antes da meia noite, para pegar o último EXPRESSO TRINDADE, tomaram o poder do veículo e disseram para eu seguir viagem.

Um baita de um alemão liderou a rebelião e veio conversar comigo. Depois de muitos argumentos ele me convenceu. Eu aceitei continuar a viagem, mas com uma condição: Teríamos de levar a vaca junto, afinal ela era a prova real do acontecido. O alemão, por sua vez, convenceu os colegas a colocarem o animal no bagageiro. Estou para ver alguém com o poder de convencimento daquele alemão.

Seguimos viagem, mas quando cheguei perto de um posto policial, não tive dúvidas, parei o ônibus para registrar o fato. Os estudantes não acreditavam na minha atitude e o policial que nos atendeu, ria da minha cara.

Foi quando eu resolvi abrir o bagageiro e mostrar a vaquinha para ele. No que erguemos aquela porta, a vaca saiu em uma disparada e não deixou sequer o seu rastro. A bicha estava viva.

O policial continuava a rir e disse que nós havíamos caído no golpe da vaca. Na verdade a bovina já era até conhecida na região por simular acidentes e roubar as pessoas que trafegavam no local.

Eu pensei em voz alta e comentei da sorte que tivemos por não sermos assaltados. Então o policial nos pediu para darmos uma olhadinha mais demorada no porta-malas. Eu não sei como a vaca fez, mas o bagageiro estava vazio.

No final de semana seguinte, eu tinha um novo encontro com o pessoal do episódio da vaca. Cada vez que um deles entrava no ônibus e me entregava o bilhete, soltava um sonoro MUUUUU!

Naquele momento eu tive a certeza que deveria voltar para o meu barco.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

60. Compra ponto com


Mô Quiridu,

Depoj qui surgiru, na internétia, essa montuêra di saiti com dixconto i promoçã, a Joaquina não parô maj di comprá. A degranida passa horaj no pexe orbanu, cricom, querudixconto, i otrox maj. O resurtado é uma pilha di cupom no borso dela uma pilha di conta no meu.
Ela já comprô, janta, armoço, cexta di café da manhã, hospedágia im posada, corte e pintura di cabelu, disincravaçã di unha in manicuria, depilaçã di sovacu i viria, inxpremeçã di furuncu, até u inzami di próxta ela quiria mi compra pra mim.
A Joaquina dij que a vantaja dissu tudo é qui pagandu adiantadu tu tenj um baita dum dixconto. Onti, pru exemplu, ela comprô trêj frangu assadu por cinco reau cada um. Hoje ela foi no rextoranti prá pegá oj frango i vortô toda infesada i cheia di inxpricaçã. Intendesse?
Invéj di frango déru trêj ovo pra ela i ainda disseru qui o cupom era pra usa só daqui a quatro mêj.
Ah, vai percurá seuviço, né oh!

Traduzindo.....

Meu Querido,

Depois que surgiram esta enormidade de sites de desconto na internet, a Joaquina não parou mais de comprar. A desgraçada passa horas no peixe urbano, clickon, queroofertas e outros mais. O resultado é um monte de cupons no bolso dela e outro de contas no meu.
Ela já comprou, jantares, almoços, cesta de café da manhã, hospedagem em pousadas, corte e pintura de cabelos, manicure para desencravar unhas, depilação de axila e virilha, remoção de furúnculo e até exame de próstata ela queria comprar para mim.
A Joaquina diz que a vantagem disto tudo é que em se pagando adiantado ganha-se um enorme desconto. Ontem por exemplo ela comprou três frangos assados por cinco reais cada. Hoje ela foi ao restaurante buscá-los, mas voltou indignada e cheia das explicações. Entendeste?
Ao invés de frangos, deram a ela três ovos e ainda disseram que seria melhor usar o cupom daqui a quatro meses.
Ah, vá procurar o que fazer!

sábado, 2 de outubro de 2010

58. Natureza Morta 3 - Lixo Congelado

Mô Quiridu,

Daj vej ô fico meio atolexmado cum tanta notiça di dinzaxtre ecolójo, é farta dágua aqui, inxente ali, aquecimento globali da terra, essa montuêra di côsa. Intendesse? Ô nô sô um omi inxtudadu, maj obeservo o que qui tá contecenu na minha vorta i dá di vê cá situação nô é daj melhor, rapaj.
Ô já to máj prá lá qui prá cá, agora nô da di si inxquecê do futuro do meu neto i doj filhu dele. Nô tem! É purissu cô chamei u Neto, prá cunveusá desse assunte cum ele:

Ixtepô: Neto vem cá rapaj!
Ixtepô: Neto vem cá RAPAJ!
Ixtepô: Neto vem CÁ RAPAJ!
Ixtepô: NETO VEM CÁ RAPAJ!

Gritei tantu, tantu, tantu, pro degranido oví qui até cheguei a pensá cô tava ficanu loco i o rapaj nô si chamava-se Neto. Bom, ele veio i nój cumessemo a falá:

Neto: Daí carinha, tudo tri?
Ixtepô: Para caj tua gira i fala quinem Omi rapaj.
Neto: Dizai vô!
Ixtepô: Ô to gritanu por ti faj máj di déj minute i tu nô mi inxcutassi?
Neto: Tipo assim, eu te escutei, mãs não ti ouvi, tá ligado?
Ixtepô: Tavaj naonde?
Neto: Assistindo um documentário sobre aquecimento global. Tri bom!
Ixtepô: Qui coincidença, quiridu. Ô tavu querenu falá inzatamente dissu cuntigu, nô tem!
Neto: Fala carinha.
Ixtepô: Na verdade, Ô tenho muntaj dúvida i comu tu éj um rapaj inteligente, curiosu, inxtudioso, vévi grudadu na televisã i na internétia, vai qui tu podej me insiná arguma côsa.
Neto: Bãããããããh, tu fez eu me senti o cara, carinha. Vamo vê se eu te auxilio em algo, tipo assim.
Ixtepô: Neto, quem tu achaj qui é o responsávi pelo aquecimento globali da terra?
Neto: Tu já chega dandu pedrada nos peito, carinha. Esta é difícil de responder.
Ixtepô: Cá di que?
Neto: É que existem alguns grupos de cientistas e organizações que acreditam que a parada é resultante da ação do homem no planeta e outros crêem que tudo se deve a ciclos naturais pelos quais a terra vem passando desde a sua criação. Sacô?
Ixtepô: Qué dizê qui tem genti qui acha um côsa i gente qui acha outra côsa deferenti?
Neto: Tipo assim, é isso mesmo.
Ixtepô: Agora tu sabej qui uma côsa é uma côsa i otra côsa é outra côsa. Qué qui tu pensaj?
Netô: Vou dizer que ainda tenho dúvidas. Mãs, independente do que for, nós temos que tomar algumas providências. Vê a situação dos ursos polares, por exemplo. O aquecimento global tem feito os animais passar fome.
Ixtepô: Nô mi dij issu pra mim, qui mi mói o coraçã, rapaj. Durante a minha vida toda, Ô tenho vixtu uma montuera di pexe si sumindu daj água, casa subindo morro a cima e barranco decenu ladera abaxo, a meséria omontanu i Ô acho que tudo é responsabilidade doj ser omano, rapaj.
Neto: Respeito teu ponto de vista e concordo em parte, mãs vamos voltar aos Ursos polares. Tu sabias que muitos deles estão se aproximando de áreas residências a procura de lixo, como alimento?
Ixtepô: Tu dij?
Neto: Então, carinha! Na bahía de Churchil, norte do Canadá, os pinta tiveram que cercar o lixão para evitar a invasão dos urso. Já pensô! Imagina ficá cara-a-cara com um baita urso.
Ixtepô: Ô só fiquei de frenti prum urso, num fextejo di boi-de-mamaõ i mi pelei de medo, rapaj. Nem goxto di pensá!
Neto: Só prá relaxar, vou te fazer uma perguntinha, vô.
Ixtepô: Fala sô tanso.
Neto: Porque os ursos polares não comem pingüim?
Ixtepô: Nô váj mi dizê, pra mim, qui oj pingüim já foro inxterminado pelo aquecimento globali da terra.
Neto: Não vô, é que pingüim vive no pólo sul e urso polar no pólo norte.
Ixtepô: Sô A B O B A D O, vai percurá seuviço, vai!

Traduzindo.....

Meu Querido,

Às vezes eu fico meio estonteado com tanta notícia de desastre ecológico, é falta de água aqui, enchente ali, aquecimento da terra, essa enormidade de coisas. Entendeste? Eu não sou um homem
estudado, mas observo o que está acontecendo ao meu redor e posso ver que a situação não é das melhores, rapaz.
Eu já estou mais para lá do que para cá, porém, não dá para esquecer do meu neto e dos filhos dele. É por isto que eu chameu o Neto, para conversar deste assunto:

Ixtepô: Neto vem aqui rapaz!
Ixtepô: Neto vem aqui RAPAZ!
Ixtepô: Neto vem AQUI RAPAZ!
Ixtepô: NETO VEM AQUI RAPAZ!

Gritei tanto, tanto, tanto, para o desgraçado ouvir e até pensei que estava ficando louco e o rapaz não se chamava Neto. Bom, ele veio e nós começamos a falar:

Neto: Daí carinha, tudo tri?
Ixtepô: Para com as tuas gírias e fala como homem rapaz.
Neto: Diz ai vô!
Ixtepô: Estou gritando por ti faz dez minutos e tu não me escutas?
Neto: Tipo assim, eu te escutei, mas não te ouvi, tá ligado?
Ixtepô: Estavas aonde?
Neto: Assistindo um documentário sobre aquecimento global. Tri bom!
Ixtepô: Que coincidência, querido. Eu estava querendo falar, exagamente, contigo sobre o tema.
Neto: Fala carinha.
Ixtepô: Na verdade eu tenho muitas dúvidas. E como tu és um rapaz inteligente, curioso, estudioso,
vive grudaddo na televisão e na internet, talvez tu possas me ensinar algo.

Neto: Bah, tu me fizeste sentir o cara, carinha. Vamos ver seu te auxilio em algo, tipo assim.
Ixtepô: Neto, quem tu achas que é o responsável pelo aquecimento global da terra?
Neto: Tu já chega forçando a barra, carinha. Esta é difícil de responder.
Ixtepô: Porque?
Neto: É que existem alguns grupos de cientistas e organizações que acreditam que a situação é resultante da ação do homem no planeta e outros crêem que tudo se deve a ciclos naturais, pelos quais a terra vem passando desde a sua criação. Entendeste?
Ixtepô: Quer dizer que tem gente que pensa uma coisa e gente que acredita em outra coisa diferente?
Neto: Tipo assim, é isso mesmo.
Ixtepô: Agora tu sabes que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. O que tu pensas?
Netô: Vou dizer que ainda tenho dúvidas. Mas independente do que for, nós temos que tomar algumas providências. Vê a situação dos ursos polares, por exemplo. O aquecimento global tem feito os animais passarem fome.
Ixtepô: Não me diga isto, que me mói o coração, rapaz. Durante toda a minha vida eu tenho visto uma imensidade de peixes sumindo das águas, casa subindo morro acima e barranco descendo ladeira abaixo, a miséria aumentando e eu acredito que isto é responsabilidade dos seres humanos, rapaz.
Neto: Respeito teu ponto de vista e concordo em parte, mas vamos voltar aos Ursos polares. Tu sabias que muitos deles estão se aproximando de áreas residências, a procura de lixo como alimento?
Ixtepô: Não diga?
Neto: Então, carinha! Na bahía de Churchil, norte do Canadá, os caras tiveram que cercar o lixão para evitar a invasão dos ursos. Já pensou! Imagina ficar cara-a-cara com um baita urso.
Ixtepô: Eu só fiquei de frente para um urso, num festejo de boi-de-mamão, e me pelei de medo, rapaz. Nem gosto de pensar.
Neto: Só prá relaxar, vou te fazer uma perguntinha, vô.
Ixtepô: Fala seu tolo.
Neto: Porque os ursos polares não comem pingüim?
Ixtepô: Não me diga que os pingüins já foram exterminados pelo aquecimento global da terra.
Neto: Não vô, é que pingüim vive no polo sul e urso polar no polo norte.
Ixtepô: Seu abobado, vá procurar o que fazer.